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‘Rei do bitcoin’ é preso pela Polícia Federal após suspeitas de pirâmide financeira

O grupo Bitcoin Banco, fundado por Cláudio Oliveira, é suspeito de desviar R$ 1,5 bilhão
Fundador do grupo Bitcoin Banco, Cláudio Oliveira, conhecido como rei do bitcoin
(Foto: Guilherme Pupo/Valor)

A Polícia Federal prendeu na última segunda-feira (5) o fundador do grupo Bitcoin Banco, Cláudio Oliveira, conhecido como “rei do bitcoin”, e mais quatro pessoas ligadas à empresa. A companhia é acusada de praticar um sistema de pirâmide financeira que desviou R$ 1,5 bilhão de cerca de 7 mil clientes.

Adm Explica

Se você ainda não sabe o que são as pirâmides financeiras, muito cuidado para não cair em uma! Este termo se refere a uma prática ilícita que garante altos ganhos para os membros de um negócio por meio da entrada de novos integrantes. Na prática, estes esquemas prometem retornos expressivos e acima da média para os investidores. No entanto, quando novos aplicadores deixam de entrar no negócio, o esquema se torna insustentável, visto que não há recursos suficientes para cobrir os retornos prometidos. 

Como parte da operação Daemon, a PF prendeu ainda a esposa de Cláudio, um alto executivo do grupo e dois outros investigados que teriam colaborado com o esquema criminoso.

Além disso, foram apreendidos veículos de luxo avaliados em cerca de R$ 2,5 milhões, joias e dinheiro vivo que, de acordo com uma nota oficial, eram utilizados para promover a imagem de sucesso do grupo. 

De acordo com o delegado responsável pela operação, Felipe Hille Pace, o Bitcoin Banco promoveu um golpe durante quatro anos ao prometer lucros exuberantes aos clientes em troca de recursos financeiros para supostamente aplicar em bitcoins. No entanto, segundo ele, estes investidores nunca detiveram estas criptomoedas, que não eram ao menos registradas. 

Início das operações

As investigações relacionadas ao grupo Bitcoin Banco não são recentes. Desde 2019, a Polícia Civil do Paraná já investiga a empresa. Na época, a companhia possuía mais de 100 funcionários e estava situada em um prédio de alto custo na região central da capital paranaense. 

Todavia, em outubro daquele ano, diversos clientes da empresa registraram reclamações de que não era possível acessar as contas e, por conta disso, gostariam de receber o dinheiro aplicado de volta. Na ocasião, o grupo informou que a plataforma havia sofrido ataques de hackers.

As reclamações, no entanto, não pararam naquele ano. Conforme apurado pela The Compass, o grupo recebeu diversas queixas na plataforma “Reclame Aqui”. No dia 27 de julho de 2020, um usuário de Belo Horizonte, em Minas Gerais, afirmou que o Bitcoin Banco não devolveu o dinheiro investido por ele e solicitado há mais de um ano.

"Solicitei a transferência do meu saldo na conta da corretora em 12/07/19 e eles estão se apropriando indebitamente do meu dinheiro até hoje", escreveu o usuário identificado como "109324877". 

Uma crítica parecida foi deixada pelo usuário identificado como “101349683”, de Brasília, no dia 09 de março de 2020. Na reclamação feita no site, o cliente afirmou não ter recebido o dinheiro de um saque solicitado no dia 14 de agosto do ano anterior na NegocieCoins, principal plataforma de negociação de criptomoedas do Bitcoin Banco.

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