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Smart Fit precifica ação a R$ 23 e estreia amanhã na bolsa

Reunimos tudo o que você precisa saber sobre o IPO, que deve levantar R$ 2,3 bi. Será que vale a pena investir?
Fachada de academia da SmartFit
(Foto: Divulgação/Smart Fit)

A Smart Fit é a próxima empresa a chegar à bolsa de valores brasileira. As ações da rede de academias começam a ser negociadas amanhã (14), com cerca de 100 milhões de papéis.

A oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) foi precificada a R$ 23 por ativo, o que fará com que a companhia levante R$ 2,3 bilhões, considerando somente o lote inicial.

A demanda pelos ativos foi 20 vezes maior do que o volume ofertado durante o período de reserva de papéis para participar do IPO, que terminou na última quinta-feira (8).

Mesmo com a alta procura, o preço não foi elevado para o valor máximo da faixa de preço estimada anteriormente, que variava entre R$ 20 a R$ 25 reais. Isso porque a empresa espera conseguir um bom desempenho dos papéis na bolsa. 

Além disso, apesar da demanda, a empresa também optou por não emitir as 15 milhões de ações que formam o lote adicional, que é vendido em casos de alta busca em uma oferta de ativos.

Conforme apurado pelo jornal O Estado de S. Paulo, os controladores da empresa querem reter participação na companhia neste momento para manter uma margem futura para uma possível operação que demande troca de ações.

Adm explica

O IPO da Smart Fit foi formado principalmente por investidores-âncora. Esta denominação é utilizada para classificar os acionistas que garantem a compra dos ativos em uma oferta inicial e tornam a operação mais confortável para a empresa. Entre eles, há a gestora Dynamo e os fundos Cingapura CIG e CPPI, que se comprometeram a comprar R$ 750 milhões em ações.

O IPO será coordenado pelas instituições financeiras Itaú BBA, Morgan Stanley, BTG Pactual, Santander Brasil e Banco ABC Brasil. As ações da companhia serão negociadas sob o código “SMFT3”. 

Como a Smart Fit pretende usar o valor levantado com a oferta?

Conforme as informações divulgadas pela empresa, cerca de 70% do valor levantado na oferta deve ser utilizado pela rede de academias para expandir o portfólio e abrir novas unidades. Atualmente, a companhia possui 928 academias.

Entre elas, 509 estão situadas no Brasil, 184 no México e as 206 restantes estão distribuídas entre Colômbia, Chile, Peru, Panamá, Costa Rica, Argentina, Paraguai, El Salvador, Equador, Guatemala e República Dominicana.

O que os especialistas pensam sobre a oferta?

Para entender melhor as características da oferta, a The Compass consultou dois especialistas do mercado financeiro a respeito do IPO. De acordo com a economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, a abertura de capital da empresa é marcada por expectativas bastante positivas.

Segundo ela, o fato de a rede de academias já sinalizar uma nova emissão de ativos e não liberar ainda o lote adicional de ações demonstra cautela para avaliar como os investidores receberão a empresa na bolsa.

"Eles vão primeiro testar este apetite dos investidores agora para depois, talvez, colocar este lote adicional por um preço mais atrativo"

Simone Pasianotto

Contudo, o avanço da vacinação no Brasil e a retomada da economia tornam o momento oportuno para a oferta, na visão dos investidores. O otimismo é reforçado ainda pelo alto número de clientes da rede.

Ainda neste cenário, segundo Davi Lelis, especialista e sócio da Valor Investimentos, a grande fatia de mercado que a empresa possui em seu setor de atuação também é positiva para a oferta.

“Ela chegou muito forte nesse ramo, conseguindo capturar uma fatia muito grande das pessoas que fazem academias”

Davi Lelis

Apesar do cenário otimista, no entanto, é necessário considerar também os riscos desta oferta. Além das incertezas relacionadas à pandemia do novo coronavírus com a variante delta, a empresa também está envolvida em questões judiciais.

O diretor executivo da empresa, Edgard Corona, por exemplo, foi citado em uma investigação do Supremo Tribunal Federal sobre a publicação de informações falsas em redes sociais.

Outro ponto de cautela, de acordo com a economista-chefe da Reag, é o endividamento alto da empresa. Antes do IPO, a companhia possuía uma projeção de dívida de 3,3 vezes o Ebtida para 2021. Na prática, isso significa que o endividamento seria superior aos lucros da empresa, antes de serem descontados os gastos com juros, impostos, depreciação e amortização.

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