Como investir em dólar: vale a pena? 6 formas para investir

Nota de dólar enrolada acima de várias notas de dólar - Investir em Dólar - Como investir em dólar

A cotação do dólar frequentemente é a pauta mais discutida entre investidores, seja nos grupos de WhatsApp ou mesmo na mesa do bar. De fato, a moeda americana é a maior referência no mercado financeiro mundial.

Pela mesma razão, é normal que muitas pessoas busquem investir em dólar, mas mal sabem a quantidade de formas diferentes para se expor ao dólar norte-americano.

Mas, antes de qualquer coisa, preciso avisar.

Comprar dólar e guardar na carteira não é investir!

Agora você pode pensar:

“mas se eu tivesse comprado 100 dólares em 1995, quando estava 1 real cada dólar, eu teria gastado 100 reais e hoje eu teria mais de 500 reais.”

É normal este tipo de pensamento, mas o que poucas pessoas se atentam é que, deixando esse dinheiro parado, você perderá o seu poder de compra devido à famosa inflação.

E sim, os Estados Unidos também possuem inflação. É baixa comparada com os países emergentes, mas existe.

No período de janeiro de 1995 até janeiro de 2021, a inflação foi de 74%, representando uma taxa de 2,15% ao ano.

Imagine que em 1995 você foi ao mercado com os seus 100 dólares e comprou 3 produtos que somados dão o valor exato que você tem em mãos.

Passados todos esses anos, em 2021, você voltou ao mesmo mercado para comprar os mesmos 3 produtos, com 100 dólares igual a outra vez.

Mas a inflação nesse período foi de 74%, então os 3 produtos somados, agora valem 174 dólares, ou seja, você terá que voltar para a sua casa pegar mais dinheiro.

A moral da história é que, deixando o dinheiro parado você perde o poder de compra seja na moeda que for, você pode até ganhar na conversão com o real, mas na verdade você perdeu dinheiro e nem percebeu.

Jamais subestimem a inflação. 

Próximo ponto!

Por que investir em dólar?

Proteção de patrimônio

Como foi dito anteriormente, ter todos os seus ativos no mercado brasileiro carrega alguns riscos em comum, um deles é o risco cambial.

Não é novidade para os brasileiros que a moeda nacional sofre bastante com a desvalorização quando comparada com o dólar, portanto não existe forma melhor de se proteger parte do seu patrimônio contra esse risco do que se expor ao dólar.

Desta forma o risco cambial é diluído e os impactos de uma possível perda de valor do real será menos intenso.

Diversificação

Em algum momento os investidores já se depararam com o clássico aviso:

“não coloque todos os ovos na mesma cesta”.

O porquê dessa frase ter se tornado um mantra para o mercado financeiro é claro, a diversificação dilui os riscos.

E quando falamos sobre diversificar o patrimônio, não adianta dividir a sua carteira em ações nacionais, fundos imobiliários e renda fixa, porque todos estão expostos ao mesmo risco: o risco Brasil.

Ao deixar todo o seu dinheiro alocado em ativos do mercado nacional, implicitamente você espera que o Brasil prospere mais do que outros países, o que não acontece.

Portanto, ao investir em dólar, você dissolverá os riscos de instabilidades política e econômica, riscos fiscais, entre outros.

Exposição à moeda mais forte

Voltando a um assunto já tratado antes: a inflação.

Ao analisar a inflação dos Estados Unidos de janeiro de 1995 até janeiro de 2021, veremos um resultado de 74%. Já no Brasil, no mesmo período, a inflação foi de 447%.

Adm

Acho que agora está dando para entender, né?

Além da dificuldade de manter o seu valor, a nossa moeda é muito jovem. O real se tornou a moeda oficial do Brasil em 1994, já o dólar foi declarado como a moeda oficial dos Estados Unidos em 1785.

Afinal, como investir em dólar?

Cada ano que passa as alternativas de investimentos só aumentam e para quem deseja se expor à moeda americana não é diferente. 

Atualmente, existem formas de investir no exterior sem sair do Brasil ou abrir conta fora, mas relaxa que vamos falar de várias possibilidades:

Investir em empresas com exposição ao dólar

Aqui temos dois pontos a serem considerados:

Ações de empresas americanas

Este item é autoexplicativo. Ao investir em companhias que atuam nos Estados Unidos, você está contando que a organização gere lucros crescentes que irão potencializar a ascensão da empresa e consequentemente do seu valor intrínseco.

Como essas companhias possuem receitas e custos em dólar, essa é uma forma de se expor à moeda americana e ao mesmo tempo investir em negócios.

Quem optar por alocar parte do seu dinheiro em empresas, vai se deparar com duas alternativas, através de BDRs ou diretamente no mercado americano.

Adm Explica

BDR é a sigla para Brazilian Depositary Receipts, que é um certificado de depósito que possui lastro nas ações da empresa a que se refere o BDR, ou seja, ao comprar um BDR, você não adquirirá a ação em si, mas um recibo que representa o desempenho dela. Os BDRs são negociados na bolsa de valores brasileira, portanto, você poderá comprar pela sua corretora.

Para investir em ações de empresas diretamente nos Estados Unidos, será necessário abrir uma conta em uma corretora no exterior, americana, mas já existem instituições financeiras que são voltadas para o público estrangeiro, facilitando a questão de documentações e diminuindo a burocracia.

Ações de empresas brasileiras expostas ao dólar

Esta é uma opção não tão interessante quanto investir em empresas americanas porque os riscos que envolvem política, economia e regulamentações do Brasil não são dissolvidos, apesar de dar uma certa proteção ao dólar.

Existem algumas empresas que apesar de terem as suas operações localizadas no mercado nacional, a sua receita e as suas despesas são em dólar, proporcionando a proteção citada em relação à moeda americana.

ETFs

Adm Explica

ETF é a sigla para Exchange Traded Fund, que nada mais é do que um fundo de investimento que geralmente tende a seguir algum índice como referência.

Esta é uma forma de combinar a exposição ao dólar, investimento em negócios e diversificação, já que existem ETFs indexados ao S&P 500 por exemplo, índice que mostra a performance das 500 maiores empresas dos Estados Unidos.

Fundo de investimento em dólar internacional

Os fundos internacionais são fundos de investimento que alocam parte do patrimônio dos cotistas em mercados estrangeiros, através de títulos públicos, compra de moedas, ações de empresas etc.

Como os fundos são geridos por profissionais, assim como os ETFs, também representam uma forma de combinar a exposição ao dólar com a diversificação em um único ativo.

Fundos cambiais

Os fundos cambiais são fundos de investimento que alocam grande parte do seu portfólio de investimentos em ativos que seguem o desempenho de moedas estrangeiras, sendo a grande maioria indexadas ao dólar.

Ou seja, o desempenho do fundo cambial tende a caminhar lado a lado com a performance da moeda em questão.

Esse tipo de ativo é muito utilizado para proteção de carteira, principalmente em momentos de crise quando o real tende a se desvalorizar.

Mercados Futuros

 

O mercado futuro consiste em um ambiente em que são negociados acordos entre duas partes de compra ou venda de um ativo por um preço específico em uma determinada data futura.

Mas como os contratos futuros são utilizados em sua grande maioria por especuladores, nem sempre essas negociações envolvem o ativo em si.

O objetivo aqui é mostrar todas as formas de se expor ao dólar. Por mais que o mercado futuro seja uma opção, não é a mais indicada pelo alto risco envolvido e pela grande especulação que domina este mercado.

Quais são os riscos de investir no dólar?

O risco de investir em dólar é o chamado risco cambial, que consiste na constante flutuação da taxa de câmbio. Mesmo que o dólar seja uma das moedas mais fortes do mundo, isso não anula o risco de ela sofrer com pequenas variações em seu preço, entre valorizações e desvalorizações.

Considerações finais

Apesar das grandes vantagens em possuir parte do seu patrimônio em dólar, uma coisa que não devemos ignorar é o perfil de investidor de cada um.

Pode parecer clichê ou besteira atentar-se a esse pequeno detalhe, mas é ele que te ajudará a ter sucesso no longo prazo.

Os seus objetivos e a sua aversão a risco devem ser respeitados para que você não tenha grandes surpresas ou frustrações ao longo do tempo.

E cá entre nós, tudo o que não queremos são surpresas ruins relacionadas ao nosso dinheiro.

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