O que é ESG? Conheça os investimentos sustentáveis

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Você provavelmente já viu essa sigla ESG por aí. A sustentabilidade nos quesitos ambiental, social e de governança é uma tendência natural para a qual nosso mundo está caminhando diante da forma como ele é tratado pelos seus habitantes pensantes: nós

E é dessa tendência – ou melhor, dessa necessidade – que falaremos aqui.

Sabe aquela crença de que não se pode ter o melhor dos dois mundos? 

O ESG pode desconstruí-la.

Pensando no mundo dos investimentos, é possível sim fazer aplicações que ao mesmo tempo:

  • sejam rentáveis; 
  • e façam parte da construção de um mundo melhor. De um futuro mais sustentável.

É claro que é muito mais cômodo ser pessimista e olhar apenas para o lado ruim das coisas. Sempre haverá problemas.

Mas convido você a fazer um pequeno esforço e voltar seus olhos para o lado bom – mesmo ciente de que o lado ruim existe.

A perspectiva realmente faz diferença nas escolhas que fazemos:

T. Harv Eker

Pensamentos geram sentimentos e sentimentos geram ações, lembra?

Caso não se lembre, isso foi dito em um dos 8 livros do nosso artigo sobre 8 livros de investimentos que você não pode perder.

O que é ESG?

ESG é sigla em inglês para “Environmental, Social and Governance”, que se refere a questões Ambientais, Sociais e de Governança de uma organização.

Hoje em dia, cada vez mais, as empresas buscam se encaixar e desenvolver projetos que envolvam alguma – ou todas – essas áreas.

Vamos por termo:

 

Environmental (meio ambiente): Refere-se a práticas que envolvam a preservação e o desenvolvimento do meio ambiente. 

Alguns tópicos que entram em pauta com frequência aqui são:

  • emissões de carbono:  e as práticas para reduzi-las, como o uso de processos de produção mais limpos e gestão energética mais eficaz;
  • poluição do ar e da água: aqui entram práticas para melhorar o destino dos resíduos gerados pela empresa ao produzir um produto, por exemplo;
  • geração e armazenamento de energia limpa;
  • escassez de água;
  • gestão de resíduos.

Social (social): como o próprio nome diz, é aquilo que se refere ao social, ou seja, às pessoas. Todo negócio depende de pessoas, desde os funcionários, até os clientes finais.

Aqui se encaixam práticas e projetos envolvendo questões como:

  • diversidade da equipe;
  • engajamento dos funcionários;
  • satisfação do cliente;
  • relacionamento  com stakeholders (indivíduos ou organizações que são impactados de alguma forma pela empresa/organização).

Governance (governança corporativa): aqui estamos falando basicamente da administração de uma empresa em questões de conduta, como:

  • transparência;
  • ética;
  • responsabilidade;
  • práticas anticorrupção;
  • remuneração.

O objetivo é fomentar uma convivência mais plena no meio corporativo.

Dentro dos investimentos, na B3, existem vários segmentos em que as empresas, de acordo com suas características, podem se encaixar.

Um destes segmentos é o “Novo Mercado”. E olha só a governança entrando em cena:

As empresas que fazem parte do Novo Mercado são aquelas que possuem um padrão de governança corporativa além dos comumente exigidos por lei.

Ter a empresa listada nesse segmento implica a adoção de um conjunto de regras societárias que aumentam os direitos dos acionistas.

Vale lembrar, inclusive, que essas empresas só podem emitir ações do tipo ordinárias, ou seja, com direito ao voto e com código terminado em “3”. 

Alguns exemplos de empresas do Novo Mercado são a Vale (VALE3), o Magazine Luiza (MGLU3) e a própria B3 (B3SA3).

Como os investimentos ESG surgiram?

 

Vamos voltar alguns anos para pensar no surgimento do investimento ESG, quando a sustentabilidade ainda não era um assunto tão recorrente.

 

Em meados da década de 70, surgiram os primeiros “investimentos de impacto”.

Adm

Antes, você conhece o conceito de Negócio de Impacto?

A palavra impacto, é claro, já diz muito. Mas a conotação aqui é um pouco diferente: não é apenas o “impacto”  literal – como o de uma bala atingindo um alvo – mas o impacto que um negócio pode ter na sociedade e meio ambiente.

Negócios de Impacto contemplam atividades que movimentam a economia e, ao mesmo tempo, trazem um impacto positivo para a sociedade.

  • Agora, voltando ao surgimento do ESG:

Ainda na década de 70, também surgiu o termo Socially Responsible Investing (SRI, que significa investimento socialmente responsável), quando foram criados fundos que seguiam certos critérios sociais na tomada de decisão.

Alguns desses critérios foram, por exemplo, evitar empresas que participassem de guerras ou sanções comerciais (ou seja, proibição de exportação, importação ou participação de atividades em determinados ambientes).

Esse movimento foi intensificado por três eventos marcantes no mundo:

Apartheid, Guerra do Vietnã, Desastre de Bhopal

  • Houve a recusa de investimentos com certos negócios na África do Sul devido ao Apartheid – olha aí o “S”, do ESG.

  • A Guerra do Vietnã também teve suas pautas: em 1971, foi criado o primeiro fundo de investimento responsável, chamado Pax Sustainable Allocation Fund Investor Class (PAXWX), que se recusava a investir em empresas que financiavam a guerra do vietnã.

  • Empresas que tiveram participação em desastres ambientais, como o Desastre de Bhopal, na Índia (vazamento de gases tóxicos e muitas mortes), também foram evitadas por investidores nos anos 80.

Primeiros índices socialmente responsáveis

Foi entre os anos 90 e 2000 que surgiram os primeiros índices socialmente responsáveis, como o MSCI KLD 400 Social Index.

Além dele, foi criado o Dow Jones Sustainabilty Index, em 99, avaliando a performance ESG (termo que ainda não existia) das empresas.

A partir disso, lá para 2007, surgiram os primeiros green bonds (ou “títulos verdes”), em que um título é emitido para captar recursos com a promessa de se fazer melhorias ambientais e de qualidade de vida, respeitando certos parâmetros.

Em muitos casos, os títulos verdes são debêntures, com foco em desenvolver projetos sustentáveis nas empresas — tanto no aspecto ambiental, quanto no social e econômico.

 

O que são debêntures?

Debêntures são títulos de dívida. Basicamente uma forma de você emprestar dinheiro à empresa e, em troca do risco, receber uma rentabilidade acima das mais comuns em títulos de renda fixa.

Um caso desses é o da Natura (NTCO3), que em maio de 2021 captou cerca de US$ 1 bilhão em títulos atrelados a metas ESG.

Naquele momento, essa havia sido a maior emissão desse tipo de papel feita por uma empresa na America Latina, segundo Roberto Marques, presidente do conselho da empresa.

A meta é relacionada à redução de emissões de gases de efeito estufa até 2026 e o título emitido é do tipo SLB.

Vamos entender o conceito:

Diversos instrumentos financeiros vêm sendo criados em prol da captação de capital para atividades econômicas sustentáveis.

Dentre eles, temos os Títulos Verdes, Sociais e Sustentáveis (verde+social) e os Sustainability-linked Bonds (SLBs) – o que a natura emitiu.

Qual a diferença entre título verde e sustainability-linked bonds?

Eles possuem muito em comum, mas os Títulos Verdes, Sociais e Sustentáveis são títulos de dívida emitidos por empresas, governos e entidades, negociados com o objetivo de atrair capital pra projetos que tenham com impacto socioambiental positivo.

  • Já os Sustainability-Linked Bonds (SLB) são também títulos de dívida, mas com o objetivo de fazer com que o emissor alcance metas ESG definidas, que são medidas a partir de indicadores-chave de desempenho (KPIs – Key Performance Indicators).

Se as metas não forem alcançadas, há uma penalização quanto ao título.

E não tem como falar de ESG sem falar da ONU, né? A Organização das Nações Unidas está sempre atuando em busca de cumprir os famosos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável.

O surgimento da sigla ESG

 

Lá atrás, em 2005, a ONU estava com uma iniciativa que deu vida a um relatório chamado “Who Cares Wins”, que significa “Vence quem se importa”. Foi neste documento que surgiu a sigla pela primeira vez.

A iniciativa reunia 20 instituições financeiras de 9 países diferentes, incluindo o Brasil.

O objetivo era desenvolver diretrizes e recomendações sobre como incluir questões ambientais, sociais e de governança na gestão de ativos, serviços de corretagem e pesquisas que tenham relação com o tema.

A decisão foi de que incluir esses fatores no mercado financeiro era só vantagem: pode gerar ótimos resultados para a sociedade e estimular mercados mais sustentáveis.

ESG no mundo

Essa “modalidade” de investimentos, portanto, tem crescido em todo o mundo e existem diversas formas de investir, entre elas: 

  • ações;
  • fundos de investimentos;
  • fundos de índices sustentáveis.

Em 2020, por exemplo, o total investido em ativos ESG chegou a US$ 250 bilhões. Tem muito a crescer, mas não é um número a ser ignorado.

Quanto ao retorno, mais de 60% dos fundos ESG dos Estados Unidos tiveram resultados acima da média, segundo o BTG Pactual.

Quando falamos de Brasil, o desenvolvimento é um pouco mais “iniciante”, mas está acontecendo. Assim, a tendência global de ESG se mostra presente.

Mas afinal, por que ESG? Por que se preocupar com a sustentabilidade?

A resposta é que essa tendência global está associada a fatores como:

  • mudanças na legislação;
  • avanços das crises e desastres ambientais.

A tendência direciona os países a buscarem soluções mais rígidas para os negócios. Exemplo da tendência são as criações da cúpula do clima, acordo de Paris, agenda 2030 e o pacto global.

maos dadas de árvore

 

Cúpula do Clima

Foi uma reunião liderada por Biden nos EUA, que ocorreu em abril deste ano, com objetivo de discutir e planejar formas de frear o aquecimento global e impactos das mudanças climáticas no planeta.

O evento reuniu líderes de todo o mundo – inclusive do Brasil – para discutirem a pauta. 

Acordo de Paris

O Acordo de Paris foi assinado em 2015 por 195 países ao redor do mundo, comprometendo-se com questões climáticas que se guiam por metas para limitar o aumento da temperatura mundial até 2ºC, no máximo.

O comprometimento envolve diversas ações para que os países adaptem seus mercados à mudanças climáticas, investindo em reduzir as emissões de carbono e preservar o meio ambiente.

Pacto Global

Criado pela ONU em 2000, o Pacto Global tem como objetivo incentivar empresas a criarem políticas de responsabilidade social e sustentabilidade. 

As estratégias das empresas que aderirem ao plano deverão ser guiadas por 10 princípios universais. Direitos humanos, direitos do trabalho, proteção ambiental e anticorrupção são pautas que as empresas que aderem ao plano buscam. 

pacto global

Agenda 2030

Iniciativa também da ONU, a agenda 2030 possui um plano de desenvolvimento sustentável mundial criado em 2015, com foco nas dimensões social, econômica e ambiental. 

A iniciativa se guia por 17 ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável):

17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU

Investimentos ESG

Diante de todo esse contexto, os investidores observam há algum tempo as características dos ativos em que pretendem colocar seu dinheiro. Vai além da comum análise fundamentalista.

Principalmente aqueles que olham para o longo prazo, uma vez que é lá que a mina de ouro geralmente está.

Na pandemia, inclusive, quase 80% dos investidores aumentaram seus investimentos em ativos ESG, de acordo com uma pesquisa global do MSCI (Morgan Stanley Capital International) feita com investidores institucionais.

Algumas das opções são:

  • Debêntures
  • Títulos verdes (green bonds)
  • Títulos sociais (social bonds)
  • Títulos de sustentabilidade (sustainability bonds), com projetos que combinem ações sociais e ambientais;
  • Titulos vinculados a sustentabilidade (sustaibanility linked bonds, como explicamos acima, atrelados a metas com prazos)
  • Fundos de fundos (FoF);
  • Ações de empresas comprometidas com ESG;
  • Fundos de índices (ETF) . Ex.: ISE, ICO2, IGC-T, S&P ESG Index, etc;

Sobre os três primeiros fundos de índice aqui citados, que são da B3, vale destrinchar:

  • ISE: Índice de Sustentabilidade Empresarial;
  • ICO2: Índice Carbono Eficiente;
  • IGC-T: Índice de Governança Corporativa.

Vale lembrar que o investimento não é feito diretamente no índice, mas sim em fundos de índice, no caso ETFs (sigla para Exchanged Traded Fund) que replicam o desempenho dos fundos que representam.

Considerações 

Desmistificar a ideia de se importar com nosso planeta e preservá-lo é essencial. Vivemos em uma época com muitos preconceitos e visões erradas sobre “pessoas sustentáveis”.

  • quando se fala de sustentabilidade, não se trata apenas daquele seu amigo que abraça árvore e aplaude o pôr-do-sol (embora não haja nada de errado nisso), mas sim de questões muito maiores e urgentes, que gritam pela ação.

Os ambientes corporativos estão mudando, é verdade, mas ainda há muito a se fazer em meios que possuem traços mais conservadores e não absorveram completamente o momento que vivemos e o que ele pede.

E, é claro, há uma alta probabilidade de que investimentos nessa área  sejam mais rentáveis, já que governos e grandes empresas estão seguindo a “onda ESG” sem olhar para trás. 

Então se você preza pelo seu planeta e por seus investimentos, ficar de olho nessa tendência é importantíssimo!

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