Investir em ações internacionais: saiba como fazer e as diferentes formas

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As ações internacionais têm sido um assunto recorrentemente trazido no mundo dos investimentos. Devido à fragilidade da economia do nosso país, muitos investidores têm buscado alocar parte de seu patrimônio no exterior.

O aumento abrupto do dólar em 2020, chegando perto dos 6 reais, causou pânico em muitos investidores brasileiros que mantinham todo seu patrimônio aqui, uma vez que a variação do dólar impacta diretamente nas economias de todo o mundo – inclusive na nossa. Os preços sobem, o nosso poder de compra diminui e por aí vai.

Neste artigo você vai entender melhor como funciona o investimento fora do Brasil, mais propriamente em ações nos Estados Unidos e o porquê de isso ser tão importante na vida do investidor.

Por que investir em ações dos EUA?

Quando o investidor aporta seu capital em ativos estrangeiros, ele está diversificando geograficamente sua carteira. 

Dessa forma, caso o Brasil passe por uma recessão, por exemplo, ou por alguma crise política ou queda do PIB, seus investimentos estarão protegidos quanto ao reflexo disso na economia do país.

Durante uma crise há uma grande evasão de capital do país, pois os investidores buscam outras formas para protegerem seu patrimônio. Como o dólar é a moeda mais segura do mundo, todo esse dinheiro saindo do país acaba indo para os ativos norte-americanos. Isso gera uma valorização no mercado estadunidense.

Pela segurança que o dólar oferece, a exposição a essa moeda passou a ser uma das melhores formas de preservação de patrimônio.

Comprar ativos dolarizados, no caso, também protege da desvalorização cambial.

Outra vantagem das ações internacionais é que, por conta da grande variedade de ativos disponíveis nas bolsas americanas, é possível encontrar boas oportunidades de investimentos baratos e não só de empresas dos EUA, mas também de todo o mundo.

Quais as formas de comprar ações dos EUA?

As ações internacionais podem ser adquiridas tanto investindo diretamente no país por meio das corretoras no exterior, comprando o que chamamos de Stocks (nada mais do que “ações” em inglês) quanto aqui pelo Brasil mesmo, por meio da compra de BDRS – Brazilian Depositary Receipt – que são ativos negociados na nossa própria bolsa, a B3. 

O que são BDRs?

BDR é a sigla para Brazilian Depositary Receipt e – de maneira simplificada – são recibos que possuem um lastro nos ativos do exterior.

De forma mais pura observando a palavra, os BDRs são certificados de depósito de valores mobiliários emitidos e negociados na B3. Lembra da CVM – Comissão de Valores Mobiliários? Então, olha os valores mobiliários aí.

Os valores mobiliários são “quaisquer títulos ou contratos que gerem direito de participação, de parceria ou remuneração – inclusive resultante da prestação de serviços – dos quais os rendimentos vêm do esforço do empreendedor ou de terceiros”, de acordo com a lei 10.303/2001.

Ou seja...

No caso de comprar uma BDR, você não está comprando diretamente a ação da companhia, mas sim um certificado com lastro nesses ativos internacionais.

Vantagens dos BDRs

A vantagem dos BDRs é que você pode se expor a empresas de fora direto pela nossa bolsa, comprando na mesma plataforma em que você compra as ações das empresas brasileiras. Em contrapartida, as BDRs têm baixa liquidez, ou seja, não são negociadas com grande frequência aqui.

Além disso, quando uma empresa paga dividendos, a instituição que emitiu as BDRs no Brasil fica com parte deles. 

Há alguns meses, outra desvantagem era que somente investidores chamados “qualificados” – ou seja, aqueles que possuem um patrimônio declarado de mais de R$1 milhão – é que podiam ter acesso às BDRs. No final de 2020 isso mudou, estando agora disponível para todos os investidores.

Os BDRs são representados por 4 letras seguidas do número “34” (como por exemplo, TSLA34, a Tesla Motors; FBOK34, o Facebook e por aí vai). Quando se trata de um BDR de ETF (Exchange Traded Funds), ou seja, uma BDR atrelada a índices, o número ao final é 39 (como no caso de BEWZ39).

Como investir em BDRs?

Para investir em ações internacionais por meio de BDRs basta você ter uma conta em uma corretora de investimentos aqui do Brasil e realizar a compra dos ativos na mesma plataforma em que você compra as ações de empresas daqui.

E o que são Stocks?

Como a própria tradução do nome diz, são simplesmente ações, só que negociadas diretamente nos EUA. O mercado norte-americano é o mais eficiente do mundo e por isso, além de ter disponível mais de 4 mil ativos, tem altíssima liquidez.

Ao contrário dos BDRs, quando uma ação de fora paga dividendos você os recebe normalmente.  E para fazer investimentos lá, é necessário que você tenha uma conta em uma corretora do país em que você pretende investir. 

A desvantagem é que é necessário enviar capital para o exterior e com isso você é submetido a um Spread Cambial.

Nota: vale ressaltar que, tanto em ações internacionais quanto em ações nacionais, os indicadores para analisar como Dividend yield e Margem Líquida são os mesmo!

O que é Spread Cambial?

Spread em inglês significa margem e quando a gente fala de envios internacionais de dinheiro, ele é a diferença entre a cotação comercial da moeda estrangeira e o valor pago para a realização da operação. 

Ou seja, você fica sujeito a algumas taxas sobre o dinheiro enviado. Além disso, vale ressaltar que é importante ficar atento às tributações (impostos) que mudam um pouco conforme se muda o país.

Mas, né? Considerando a situação caótica da nossa bolsa de valores, muitas vezes estar sujeito a algumas taxas pode acabar valendo a pena em função de perdas reais (ou seja, o nosso rendimento subtraída a inflação) que podem acontecer na economia brasileira. O negócio é analisar direitinho!

Mais do que investir em ações internacionais pelas formas mencionadas acima, podemos também nos expor a investimentos no exterior por meio de outros tipos de ativos, como ETFs, fundos de investimentos brasileiros composto por ativos internacionais e também de COEs.

Explicando brevemente:

ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos negociados como se fossem ações na nossa bolsa e que em sua maioria replicam certos índices do mercado. O ETF que replica ações do S&P500 – as 500 maiores empresas de capital aberto dos EUA – é o ETF chamado IVVB11.

COE é sigla para Certificado de Operações Estruturadas. É um produto que mistura ativos de renda fixa e variável. A composição do COE pode conter ativos do exterior e por isso também é uma forma de se expor ao mercado internacional.

Considerações

Afinal, tanto por meio de BDRs quanto por meio Stocks ou das outras formas é possível se expor ao crescimento e às variações de ativos de empresas como Apple, Tesla Motors, General Motors, Disney, Berkshire Hathaway (a empresa do Warren Buffett), Microsoft, Google, Amazon, Johnson&Johnson e por aí vai.

Isso sem contar as exposições que abrangem outros setores e classes de ativos de tantos lugares que podem trazer vieses de culturas totalmente inovadores e surpreendentes. 

Mais do que os investimentos mexem com o psicológico dos investidores, é o comportamento humano global resultante que determina, no final das contas, as grandes movimentações do mercado mundial.

Assim, embora você se arrisque ao investir em renda variável para ganhar mais, o fato de investir no exterior vai além de se expor a essa possibilidade: é também uma forma de proteger aquilo que você tem. 

O bom velhinho

Lembra da minha regra número 1? "Nunca perca dinheiro." Portanto, proteja seu patrimônio, Jovem.

 

Adendo: além de ações internacionais, existem diversos outros ativos nos EUA para você estudar: bonds, fundos internacionais.

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