Bonds: saiba o que são e entenda como funcionam

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De fato, os Bonds são menos badalados do que as ações americanas para quem está começando a investir no exterior, mas não deixam de ser opções interessantes para o investidor que deseja dolarizar parte do seu patrimônio.

Caso você esteja procurando mais informações sobre esse ativo, está no lugar certo: vamos destrinchar tudo sobre bonds!

O que são Bonds?

Bonds são títulos de renda fixa internacionais. Podem ser emitidos por governos ou empresas. Os Bonds se assemelham aos títulos públicos e às debêntures.

Como funcionam os Bonds?

Para explicar melhor a dinâmica, vamos analisar os dois lados separadamente:

Devedores – Governos ou empresas

Quando uma instituição, seja um país ou uma companhia, precisa levantar um capital, ela possui algumas opções para poder financiar seus projetos ou suas operações.

Geralmente, essas opções estão entre:

  • pedir um empréstimo em um banco
  • emitir títulos de dívida no mercado.

A primeira opção na maioria das vezes é mais cara, isso porque os juros cobrados pelos bancos são altos pelo fato do risco que a própria instituição financeira corre em ceder essa grande quantidade de crédito sozinha.

Já a segunda opção é mais barata comparada à primeira, principalmente pelo fato de os títulos emitidos serem comprados por diversas pessoas ou instituições, impedindo que uma pessoa – seja física ou jurídica – precise emprestar o valor total pedido pela empresa.

Portanto, na maioria das vezes essas instituições optam pela captação desse dinheiro no mercado emitindo títulos de dívida – ou os chamados Bonds.

Credores – Investidores

Quando o investidor opta por comprar um Bond, ele se torna um credor dessa instituição. Isso porque ele está emprestando o seu dinheiro no presente em troca do recebimento futuro desse valor acrescido de juros.

Porém, ao contrário das ações, os detentores desse título não possuem nenhum direito de propriedade sobre a empresa, ou seja, os credores não se beneficiam do crescimento da empresa, não impactando muito se a empresa está estável ou passando por dificuldades, contanto que ela ainda tenha recursos para pagar as suas dívidas.

Quais as características dos Bonds?

O Bond possui um preço, valor de face, data de vencimento, taxa de juros, cupons, duração e outras características que vamos tratar aqui por partes:

O preço de um Bond é o quanto ele custa para o investidor adquirir, seja no mercado primário ou secundário.

O valor de face, também chamado de valor nominal, é o quanto você receberá no vencimento do título e a base de cálculo dos juros que serão pagos pelo emissor.

O nome é autoexplicativo, é a data que o título irá vencer e que o investidor receberá o valor de face.

Essa é a remuneração que o credor recebe por emprestar os seus recursos, já que o dinheiro tem valor no tempo. Existem dois tipos de taxas de juros:

  • Taxas pré-fixadas (Fixed interest rate) – não importa o que aconteça, a taxa de juros acordada não irá mudar. São previamente fixadas.
  • Taxas pós-fixadas (Floating interest rate) – São taxas que variam com o tempo. Geralmente os títulos pós-fixados possuem uma taxa de juros atrelada a algum índice econômico, no caso do Brasil temos a Selic, CDI, IPCA etc.

Refere-se ao período em que o investidor receberá o valor de face do título, ou seja, o período até o vencimento do ativo. Aqui vale uma ressalva: quanto maior a maturidade, maior o risco – portanto a remuneração tende a ser maior também.

Os cupons são os juros efetivamente pagos periodicamente pelo emissor, que normalmente ocorre com frequência anual ou semestral. Para calcular o cupom do título é só dividir o valor recebido em juros no ano pelo valor de face.

Ex: Um bond possui um valor de face de US$ 1000,00 e paga cupons semestrais de US$ 50,00. Como são pagos US$ 50,00 por semestre, em um ano a empresa paga US$ 100. Dividindo 100 por 1000 resulta em 0,10 ou 10%, logo, o cupom é de 10% ao ano.

Vale ressaltar que existem também os “zero coupon bonds” que são os títulos que não preveem o pagamento de juros periodicamente. Neste caso o pagamento integral ocorrerá no vencimento.

Quais são os tipos de bonds?

 

Antes de ir para usa corretora no exterior investir, você precisa entender um pouco mais sobre os tipos de Bonds!

Corporate bonds

Os corporate bonds são emitidos por empresas, assim como as debêntures que temos no mercado brasileiro.

Assim como foi dito anteriormente, uma companhia possui basicamente duas fontes de empréstimo:

  • bancos
  • mercado financeiro

A grande maioria das empresas prefere captar esse dinheiro através de investidores porque os termos desse acordo e as taxas de juros cobradas são muito mais favoráveis para ambas as partes.

O grande motivo dessa diferença é o fato de que no mercado ninguém necessariamente precisa emprestar todo o dinheiro que a empresa está pedindo, já que essa captação é feita por meio de vários investidores.

Isso faz com que os juros sejam menores e os termos de compromisso sejam mais flexíveis, mesmo que padronizados.

Municipal bonds

Os “municipal bonds” são emitidos pelos estados ou municípios dos Estados Unidos. A vantagem deles é que alguns desses títulos pagam cupons isentos de impostos, o que já faz uma grande diferença para o investidor.

Government bonds

Seguindo a mesma lógica das outras definições, os “government bonds” são emitidos pelo governo americano, mais especificamente pelo U.S. Treasury (Tesouro dos Estados Unidos).

Neste tipo de título existem 3 categorias que se distinguem pelo tempo de maturidade (maturity), ou seja, o período entre a emissão e o vencimento.

  • Bills: os títulos emitidos pelo tesouro americano que possuem um vencimento em até um ano ou menos, são chamados de “Bills” ou de T-Bills para os mais íntimos;
  • Notes: já os títulos que possuem um vencimento entre 1 e 10 anos, são chamados de “Notes”;
  • Bonds: e para os títulos que possuem um vencimento acima de 10 anos, são chamados de “Bonds”.

Lembrando que todos possuem as mesmas características, a única coisa que muda além dos nomes é o tempo de vencimento.

Existe ainda outro tipo de título público americano, chamado de TIPS, sigla para Treasury Inflation-Protected Securities, que em tradução livre seria o título do tesouro protegido pela inflação, assim como o nosso Tesouro IPCA+, são títulos pós-fixados, que pagam juros semestrais e possuem maturidades de cinco, dez e trinta anos.

Outro detalhe é que todos os títulos emitidos pelo Tesouro americano – sejam bills, notes ou bonds – são chamados de “Treasuries”.

Portanto, todos esses Government Bonds, ou títulos governamentais, fazem parte da chamada “dívida soberana” do país.

Green Bonds

O green bond ou “títulos verdes” tem como objetivo financiar projetos que estão relacionados à preservação do meio ambiente. Eles podem ser emitidos tanto por empresas como pelo governo de um país, mas sempre voltados a esse tipo de iniciativa.

E para ser classificado neste tipo de ativo, é necessário que haja uma consultoria e um monitoramento do projeto para garantir que todo o dinheiro arrecadado será destinado a fins específicos.

Quais são os riscos dos Bonds?

Adm

putz, achei que era 0 risco

Apesar dos bonds serem títulos de renda fixa e consequentemente proporcionarem  certa previsibilidade no retorno deste investimento, assim como tudo na vida, também possuem certos riscos. São eles:

Risco de crédito (Credit risk)

É o risco de o emissor não conseguir pagar os seus credores, os detentores do título, ou seja, é a possibilidade de o devedor não honrar os seus compromissos.

Este risco está presente não apenas em títulos emitidos por empresas, mas também em títulos emitidos por países.

Risco das taxas de juros (Interest rate risk)

Este tipo de risco se refere às oscilações das taxas de juros, podendo afetar os títulos pós-fixados e pré-fixados. Aqui cabe um exemplo:

Imagine que um título e que sua remuneração seguem a taxa básica de juros de um país. Em um título pós-fixado é claro o impacto:

se a taxa de juros subir, a remuneração aumenta e se a taxa de juros cair, diminui.

Usando o mesmo exemplo, agora pensando em um título pré-fixado, se a taxa de juros cai, ótimo para quem possui este tipo de título porque está sendo mais bem remunerado.

Porém, se a taxa de juros sobe, esse ativo deixa de ser atrativo, porque possui outro investimento tão seguro quanto esse, mas a remuneração é maior.

Outro detalhe importante: os preços dos títulos de renda fixa variam, vamos abordar mais para frente esta questão, mas essa variação no preço está associada às oscilações das taxas de juros.

Esse comportamento preço x taxa de juros é inverso: sempre que a taxa de juros sobe, o preço do título sofre uma desvalorização. Já se a taxa de juros recua, o preço do título aumenta.

Risco de liquidez (Liquidity risk)

O risco de liquidez está relacionado com a facilidade que o investidor encontra em conseguir negociar o título: quanto mais fácil, menor o risco, assim como o seu inverso é verdadeiro.

Essa dinâmica ocorre porque se um investimento é mais difícil de capitalizar, ou seja, transformar o ativo em dinheiro (capital), o investidor precisará conceder descontos para poder negociar, prejudicando a sua rentabilidade.

Imagine que você queira vender uma casa por 1 milhão de reais, mas só uma pessoa se interessou nos últimos 10 anos e está disposto a pagar apenas 800 mil reais, ele está irredutível, é isso ou nada.

Neste caso você terá duas escolhas:

  • não aceitar e continuar sem vender, arcando com os seus custos
  • abrir mão de parte da sua possível rentabilidade para poder ter o dinheiro na conta.

Este é o risco de liquidez.

Adm

tanto termo em inglês que confunde um pouco, mas ta de boa, my english is "afiado"

Risco de negociação antecipada (Call risk)

É o risco associado à possibilidade de o emissor recomprar os títulos antes do vencimento. Isso pode ocorrer quando a incerteza do futuro das taxas de juros é alta ou também quando as taxas estão muito baixas.

Nesse segundo cenário, as empresas recompram os títulos para emitir novas dívidas para aproveitar as taxas baixas.

Risco de inflação (Inflation risk)

O risco de inflação é simples, é a possibilidade de a inflação estar acima da taxa de juros que remunera os investidores de Bonds, isso faz com que o ganho real dele, a rentabilidade do investimento subtraído pela inflação, seja negativo.

Quais as vantagens dos Bonds?

As vantagens dos Bonds se assemelham muito aos pontos positivos de ter títulos de renda fixa na carteira, principalmente pelo fato de que esse tipo de investimento proporciona uma previsibilidade do retorno do dinheiro investido nesse ativo.

Consequentemente, essa fácil previsão causa uma diminuição da volatilidade da sua carteira e claro diminui os riscos também através dessa diversificação.

E outra vantagem muito importante é que para aquelas pessoas que mantêm o investimento até a maturidade, ou seja, até a data de vencimento, elas receberão o valor total do principal e mais os juros.

Portanto é uma forma de preservar o seu dinheiro ao longo do tempo.

Como todos sabem, ou deveriam saber, o dinheiro muda de valor com o tempo.

Os preços dos títulos de renda fixa variam?

Sim, variam. Para poder responder essa dúvida muito comum, é necessário explicar algumas coisas antes…

Quando uma empresa ou o governo emite um título de dívida, a primeira oferta desses ativos é feita no chamado mercado primário, quando investidores individuais ou institucionais compram pela primeira vez esse título.

Porém, não é do interesse de todos manter esse ativo até o vencimento, então acabam vendendo no mercado secundário.

Adm

mercado secundário?!

Um paralelo que podemos fazer é com o mercado de ações internacionais.

O mercado primário é o IPO – quando a empresa levanta o dinheiro – e o mercado secundário são as negociações no pregão, o que não fornece nenhum benefício às empresas a não ser a liquidez.

O mercado secundário de Bonds, é o ambiente em que os investidores negociam os seus títulos com outros investidores.

O primeiro detalhe importante, para quem compra um Bond e mantém até o seu vencimento é que nenhuma oscilação irá afetar o seu rendimento, ou seja, nada disso importa.

Mas para quem compra um título e decide vendê-lo antes do seu vencimento, no mercado secundário, isso pode afetar a rentabilidade do ativo.

Adm Explica

O porquê disso é que, assim como na bolsa de valores, os preços dos Bonds são ditados conforme a Lei da Oferta e da Procura: se mais pessoas comprarem, o título se valoriza; se mais pessoas venderem, o título se desvaloriza.

A grande pergunta é “o que influencia o investidor a comprar ou vender os títulos?”. São as oscilações das taxas de juros. Essas taxas flutuam todos os dias e por isso os preços também variam diariamente.

Essa relação é inversamente proporcional, ou seja, quando os juros sobem o preço cai e quando os juros caem, o preço sobe. 

O investidor que decidir vender esse ativo está renunciando à rentabilidade que ainda receberá em troca do dinheiro na mão agora, podendo prejudicar o retorno do investimento.

Portanto, os preços dos títulos de renda fixa variam, porém isso não importa para quem manter esse investimento até o vencimento. Neste caso a rentabilidade será garantida. 

Além dos bonds, existem várias outras alternativas para investir no exterior, sendo uma delas fundos internacionais.

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