Alta do dólar: entenda os motivos e como isso interfere na sua vida

Comece por aqui
Início » Investimentos » Exterior » Alta do dólar: entenda os motivos e como isso interfere na sua vida

Quantas vezes você já ouviu falar “o dólar está caro”? A resposta mais frequente é que desde sempre se ouve isso. 

Parece normal olhar para trás e perceber o quanto o dólar subiu desde algum período anterior ao atual. Isso mostra que, na verdade, a tendência é que o valor sempre aumente e ao olhar para trás, o valor pareça pequeno comparado ao do momento em que se está fazendo a comparação. 

O que acontece, na verdade, são vários fatores que somados acabam causando esse efeito ao longo do tempo. Fiquei com a gente até o final deste artigo para entender melhor esse cenário.

E uma oscilação no dólar interfere tanto no dia-a-dia do brasileiro médio, como no preço do pão, até em atividades mais complexas como exportações e PIB.

O que é a alta do dólar?

Quando se fala em alta do dólar por aqui, é o real que está sendo usado como referência. A cotação do dólar, ou seja, seu preço em reais, é geralmente definida pela relação que ocorre entre a oferta e a demanda sobre as duas moedas – norte-americana e brasileira.  

Você pode aprender mais sofre a lei da oferta e da demanda em nosso artigo sobre o tema clicando aqui.

Aqui no Brasil, portanto, há vários motivos mais específicos pelos quais pode haver maior ou menor movimentação de dólares no país – resultando em maior ou menor oferta e demanda pela moeda, causando valorização ou desvalorização do dólar frente ao real.

O dólar, vale lembrar, é conhecido também como a principal moeda para reserva internacional – se você não o vê assim, deveria. 

Isso porque grande parte das transações entre organizações e governo de países diferentes é feita nesta moeda – o que também indica que a variação deste interfere na economia do mundo todo, inclusive no Brasil.

O que interfere na alta?

Para entender melhor os fatores que interferem, é importante conhecer alguns conceitos.

Taxa de câmbio

Taxa de câmbio é basicamente o valor que uma moeda vale comparada à outra. Neste caso, é comparado o real ao dólar, por exemplo: “n reais compram m dólares”. Essa é a chamada taxa de câmbio nominal, a mais vista pela população. 

Esses valores variam com o dia e oscilam em conjunto com as bolsas de valores ao redor do mundo.

Mas existe um fator que faz essa taxa de câmbio não ser tão precisa assim: a inflação.

No caso da comparação do dólar em relação ao real, quando se leva em consideração a inflação do Brasil e dos Estados Unidos, ou seja, o aumento dos preços diante de (mais uma vez ela: a lei da oferta e da demanda) baixa oferta e alta demanda, por exemplo, o nome dado é taxa de câmbio real e o valor é corrigido de acordo com a realidade do país.

Adm Explica

A diferença é praticamente que a taxa de câmbio real tem uma relação mais realista diante da realidade que o país vive na economia, já que leva em consideração o poder de compra que cada moeda tem.

Principais Causas da alta do dólar

É claro que muitos fatores influenciam no aumento do dólar. O objetivo aqui é trazer um panorama geral sobre esses fatores.

Os mais comuns deles são os gastos de turistas brasileiros no exterior (considerando um grande volume), uma vez que (por exemplo) para esses gastos ocorrerem, o brasileiro turista compra dólar e vende real.

Mas além disso, motivos mais estruturais em relação às moedas também interferem numa desvalorização do real. Um deles é o saldo negativo na balança comercial.

balança comercial de um país representa a diferença entre tudo aquilo que ele importa e tudo aquilo que ele exporta. 

Ou seja, basicamente a soma de todas as relações comerciais do país com o exterior – tanto compra como venda de produtos e serviços, assim como bens e tudo mais.

Vale lembrar que o que é considerado no saldo da balança comercial não é o volume de produtos que saem do país, por exemplo, mas a quantificação é feita em relação aos valores envolvidos nas transações.

O saldo da balança comercial é representado por Exportações – Importações

Por exemplo, quando as exportações superam as importações de um país, a balança terá um saldo positivo, ou seja, um superávit comercial. No caso contrário, quando a importação é maior do que a exportação, diz-se que o país está em déficit comercial.

Fatores como a taxa de câmbio podem influenciar nos resultados da balança comercial, já que os produtos importados ficam mais baratos quando a moeda do país fica mais valorizada em relação à moeda externa (no caso, quando o real se valoriza em relação ao dólar). 

Além disso, o nível de renda dos países também interfere nisso, assim como a tributação pode ser um empecilho para entrada de produtos no país.

No caso da balança comercial negativa, ou seja, as importações são maiores do que as exportações, houve menos moeda estrangeira entrando no país do que saindo.

Outro fator é o nível da taxa básica de juros do Brasil e da taxa básica de juros dos Estados Unidos, no caso. 

Ambas influenciam na cotação, uma vez que quando a taxa básica de juros cai aqui no Brasil, ou a dos EUA sobe, a vantagem de investir no Brasil diminui, causando uma saída de capital do Brasil para onde a taxa de juros é maior, pensando nos retornos a partir desses juros.

Quando isso ocorre, há a compra de dólar e venda de reais, aumento da demanda pelo dólar e da oferta do real, gerando assim uma alta na cotação do dólar.

Vale lembrar, no entanto, que quando ocorre uma grave crise, o governo do Brasil geralmente intervém em busca de controlar o mercado cambial, objetivando impedir uma valorização ou depreciação considerada excessiva. 

Essa intervenção feita pelo do Banco Central é conhecida como dirty float ou flutuação suja da taxa de câmbio, não permitindo que (no caso) o dólar flutue livremente.

Consequências/Impactos da alta do dólar

Para ficarem mais claras as consequências do dólar alto, vamos para um exemplo:

Pensando a nível governo, se o governo ou as empresas possuem empréstimos na moeda em questão (no caso, o dólar) e ocorre uma alta na cotação desta moeda, a dívida então passará a ser maior na moeda local (no caso, em reais).

Outro caso seria o de empresas que precisam de insumos, matéria-prima ou afins que vêm de fora do país. 

Essas empresas passam a ser prejudicadas visto que esses custos podem acabar sendo passados para o consumidor – o que, por sua vez, pode diminuir as vendas ou então diminuir a margem.

Agora quando se pensa de maneira mais macro, é possível perceber que a desvalorização do real em relação ao dólar pode ser aproveitada de alguma forma.

Como?

Alguns sinais não tão ruins.

Primeiramente, aquela história: crise ou oportunidade? Quando algo está abaixo do preço de que realmente vale, mesmo sem perder o seu valor, deve-se aproveitar a oportunidade para adquirir ativos. 

No caso de ações, vale fazer uma análise fundamentalista para entender o que vale e o que não vale.

Exportações

Quando o dólar fica valorizado em relação ao real, o produto brasileiro passa a custar menos na moeda estrangeira em questão, levando então a um aumento nas vendas feitas daqui do Brasil para lá. Isso se pode em commodities, por exemplo.

Turismo

Outro fator tangível é o turismo, dado que fica mais barato aos olhos – ao bolso, no caso rs- do estrangeiro que paga em dólar vir para o Brasil.

No dia a dia, além disso, pode-se perceber que boa parte dos produtos que consumimos é importado ou possui alguma relação com produtos vindos de fora do Brasil. 

Assim, a famosa inflação também ocorre quando o dólar aumenta seu valor, já que os preços dos produtos que possuem alguma relação com o dólar aumentam de preço também.

Como assim? Que relação?

Vamos lá: o pão que compramos na padaria é produzido aqui no Brasil, mas o trigo utilizado para fazer o pão geralmente é importado. 

Muitos produtos eletrônicos também possuem suas origens fora do Brasil, ou ainda aqueles que são produzidos 100% aqui acabam por possuir pelo menos algumas de suas peças vindas de fora ou alguma máquina usada em certa etapa de sua produção pode ser importada. 

Outro exemplo é o preço da gasolina, já que é influenciado diretamente pelo preço do petróleo, cuja cotação também está atrelada ao dólar.

Oscilação do dólar nos investimentos

Olhando agora para os investimentos, assim como o turismo mais barato no Brasil em relação aos outros países, o real baixo torna as ações – por exemplo – de empresas daqui mais baratas em dólar, atraindo capital estrangeiro para o país, tornando algo positivo.

Por outro lado, quando o brasileiro quer comprar ativos estrangeiros ele encontrará valores maiores em reais, podendo ser menos acessível e algo negativo.

Vale dizer: se o brasileiro já possui ativos estrangeiros, esses ativos se valorizam com o aumento da cotação e pelo câmbio, sendo algo então positivo.

Entendeu como tudo depende do fator considerado, de sua estratégia, de sua situação e seus objetivos? Por isso é tão importante estudar e traçar suas metas e estratégias quando se aprende como começar a investir

Além disso, é deve-se frisar a importância de diversificar a carteira e investir no exterior para se aproveitar de valorizações do dólar assim.

A estabilidade econômica também interfere em um dólar mais estável em relação ao real. Quando se observa o ano de 2020, por exemplo, vimos o dólar subir muito diante da crise do coronavírus.

O dólar e a Covid-19

Na crise do ano de 2020, muitas vidas foram perdidas e no início da pandemia houve um pânico total dos investidores, tanto que batemos recordes na bolsa brasileira de circuit breakers. 

Um grande movimento de venda de ativos com o medo de que eles se desvalorizassem ainda mais mostrou que muitos não estão preparados para grandes oscilações no mercado.

Isso mostra que o preparo financeiro para grandes crises assim não está sendo feito da melhor forma possível, com muitas pessoas colocando todo o seu patrimônio em ativos de riscos sujeitos a grandes oscilações. 

No caso, quando ocorrem essas grandes alterações no preço, o investidor despreparado de sua reserva de emergência e que precisa resgatar o investimento acaba perdendo na desvalorização dele por vender no momento errado.

Uma das grandes questões da desvalorização do real diante da crise do coronavírus é a aversão ao risco: em situações assim, naturalmente os investidores retiram seu dinheiro de países emergentes como é o Brasil e investem em títulos, por exemplo, do Tesouro americano, por sentirem mais segurança e confiarem mais.

Agora em 2021, com o avanço da vacinação ao redor do mundo – e agora o Brasil caminhando nessa direção – aparentemente a moeda está se aproximando de alguma estabilidade, embora o dólar tenha atingido baixas nos últimos meses.

Fatores políticos também interferem, assim como questões estruturais tanto internas do país quanto externas. A estabilização da economia mundial e da crise sanitária pode levar a alguma estabilidade. 

Mas vale lembrar: não há bola de cristal e não se pode prever, de fato, o que acontecerá.

O que se pode fazer é se prevenir com reservas bem estruturadas e metas bem definidas para enfrentar crises, aproveitar as oportunidades e sair de uma batalha mais forte do que ao entrar nela. 

Saiba onde está pisando, quanto risco está disposto a correr e quais são suas estratégias.

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp