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Banco Central Chines cobra padronizações sobre o clima

Critérios para dar transparência a riscos ambientais é assunto em pauta em todo o mundo.
Presidente do banco central chinês, Yi Gang
Foto: Qilai Shen/Bloomberg

Que as questões climáticas estão em pauta a gente já sabe, né? Cúpula do Clima nos EUA e mais um monte de coisas rolando com essa discussão esse ano.

O que acontece agora é que o Banco Central Chinês está direcionado suas ações ao desenvolvimento de uma padronização em relação às informações sobre o clima. O setor financeiro estar sendo submetido a um teste de estresse sobre os riscos representados pelo aquecimento global é uma sinalização disso.

As perspectivas são de que o Banco do Povo da China promova uma divulgação obrigatória de informações relativas ao clima, de acordo com o presidente Yi Gang num simpósio do banco dos dirigentes dos bancos centrais, Banco de Compensações Internacionais (BIS).

Ele ainda afirma que espera que o grupo de países do G-20 possa concordar em torno de um padrão de divulgações informativas até o fim deste ano. Nesta semana, ocorrerá a reunião de líderes do G-7 no Reino unido.

Peraí Ademiro, o que é G-7 e G-20 mesmo?

O G7 é formado pelos sete países mais industrializados – EUA, Japão, Alemanha, França, Itália, Canadá e Reino Unido -, além da União Europeia responsáveis por 50% do PIB mundial.

Já o G20 reúne 19 das maiores economias do mundo, dentre os quais vários são países emergentes, e a União Europeia (UE).

Os integrantes do G20 são a Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, República da Coreia, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos e União Europeia.

A iniciativa sobre a prestação de informações sobre o clima foi iniciada pela Europa, mas havendo um alinhamento da China com a UE, a pressão para que os Estados Unidos criem um sistema semelhante passa a ser maior.

O presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) afirma para Gang no final da semana passada que a divulgação sobre esse tipo de informação deveria, na verdade, ser uma decisão para a SEC (Securities and Exchange Comission, ou seja, a CVM dos EUA) junto ao governo, e não para o Federal Reserve.

Ele reconhece, ainda, que essa divulgação de informações padronizadas a respeito desse assunto é decisiva e que é incontestável a importância do assunto.

Revisando as siglas:

  • SEC – Securities and Exchange Comission, órgão regulador do mercado de capitais americano, ou seja, a CVM dos EUA
  • CVM – Comissão de Valores Mobiliários, basicamente o órgão que cuida das questões relacionada ao mercado de capitais aqui no Brasil
  • Fed – Federal Reserve, o Banco Central dos EUA

Embora os bancos centrais tenham sinalizado que sua responsabilidade não é criar políticas de clima, um número crescente deles têm trazido em pauta a importância de inserir o clima como algo que interfere na contenção da inflação e na estabilidade financeira.

Voltando ao Banco da China, Gang diz que os testes de estresse do sistema financeiro chinês para identificar as instituições que estão sob riscos de efeitos das mudanças climáticas começaram a ser feitos.

Além disso, o BCE (Banco Central Europeu) e o banco central francês publicaram as considerações iniciais de testes importantes, e o Banco da Inglaterra também dá sinais de algo semelhante neste mês.

Aqui no Brasil, o presidente do Banco Central afirma que mudar a cultura da entidade em relação às mudanças climáticas é prioridade: “Estamos na maior crise da história e a sociedade demanda soluções sustentáveis e inclusivas” afirma Roberto Campos Neto.

E vale esclarecer: O que os Bancos Centrais têm a ver com essas questões climáticas?

Eles têm a ver com isso porque as mudanças climáticas podem vir a representar um grande risco para a estabilidade financeira.

Destrinchando: teoricamente, as mudanças climáticas impõem dois tipos de riscos: primeiramente os prejuízos físicos, que podem ser causados por mudanças climáticas (e também catástrofes), como por exemplo por meio de inundações e secas.

 Em segundo lugar, mas não menos importante, temos os chamados riscos de transição, que são os casos de velhas tecnologias que provocam emissão de carbono que devem se desvalorizar na medida em que sofram restrições e a transição para outros tipos de tecnologias.

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