Rússia é acusada de dar calote

O calote de uma dívida russa é o primeiro em mais de um século, tendo acontecido o último em 1918
Foto do presidente da Rússia, simbolizando calote

Putin diz que não deve. Os credores dizem que não receberam o pagamento. E agora? Será que o Serasa vai mandar uma cartinha chamando o país de “Rússia do calote”?

Rússia no SPC

Neste domingo (26), a Rússia deixou vencer duas de suas dívidas externas em moeda estrangeira, e acabou sendo acusada de dar um calote. Ontem, o período de carência de 30 dias encerrou, e agora o país tem uma dívida de cerca de US$ 100 milhões. 

Esta é a primeira vez que o país dá um calote desde 1918, quando Vladimir Lenin, líder comunista do Império Russo, se recusou a honrar as dívidas que contraiu. Somente em 1998 ocorreu um outro calote. No entanto, na ocasião, a dívida era em moeda local.

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Na verdade, o ato de inadimplência está muito mais relacionado com as sanções vividas pelo país do que com uma falta de saldo. Em virtude dos conflitos com a Ucrânia, a Rússia, que já estava com problemas internos, agora tem que enfrentar vários outros obstáculos.

Com as sanções, o mundo acabou desconectando a Rússia de boa parte do sistema financeiro global. Portanto, muitos dos boletos do país, principalmente os em moeda estrangeira, terminaram impedidos de serem pagos, mesmo a Rússia tendo saldo na conta. 

Por que então o calote da Rússia importa?

De acordo com uma declaração, nesta segunda (27), do porta-voz do país, Dmitry Peskov, as acusações de calote seriam “injustificadas”. Para Dmitry, os caloteados deveriam procurar os agentes financeiros ocidentais, que, segundo ele, não entregaram o pagamento. 

No entanto, pelo menos até que a treta seja resolvida, a mancha na imagem já desgastada do país, continua. Os credores da Rússia, que já estavam tensos com suas dívidas a serem pagas, poderão se sentir ainda mais desconfiados, evitando o país a todo custo.  

Contudo, para os países que impuseram as sanções, o calote é sinal de sucesso. Por exemplo, para os EUA o golpe deverá ser encarado como um símbolo da força americana, que, junto com os aliados, estão fazendo a Rússia sentir na pele o peso dos conflitos.

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