Entenda o que é o Talibã e o que está rolando no Afeganistão

Nos últimos dias, o Talibã assumiu o controle do Afeganistão. Corre aqui pra entender essa história toda!
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“O que tá rolando no Afeganistão?”, “o que é o Talibã?” e “o que os Estados Unidos têm a ver com isso?” são algumas das perguntas que você pode ter feito nos últimos dias.

Se você acompanha a nossa newsletter, já deve ter noção do que está acontecendo lá. Mas, resumidamente, o grupo extremista Talibã deu mais um passo para assumir o controle do Afeganistão no último domingo (15), ao tomar o comando da capital Cabul. Horas antes, o ex-presidente afegão Ashraf Ghani fugiu do país.

Em meio a todo esse conflito, os olhares do mundo inteiro se voltaram não somente para o Afeganistão, mas também para os Estados Unidos, a China e a Rússia.

Pra começar, o que é o Talibã?

Vamos voltar lá para 1994, ano em que o real entrava em circulação no Brasil e que o país conquistava o quarto título de Copa do Mundo (saudades, né?!).

Enquanto isso, do outro lado mundo, um grupo de estudantes de escolas religiosas do Paquistão, país vizinho do Afeganistão, se juntavam para criar o que seria o Talibã – que significa “estudantes”, em pachto.

O grupo nasceu em meio a um país abalado em aspectos econômicos e políticos após ser invadido pela União Soviética (URSS), que ocupou o Afeganistão por 10 anos, até 1989. Os soviéticos saíram do país depois de uma série de conflitos que foram financiados, inclusive, pelo Paquistão e pelos Estados Unidos.

Liderado por Mohammed Omar, um dos veteranos da guerra contra a URSS, o Talibã carrega uma proposta extremista, baseada em ideais distorcidos do Islã. Para eles, tomar medidas radicais era uma forma de recuperar a soberania do Afeganistão.

Talibã no poder em 1996, mas por pouco tempo

Depois de se estruturar e ganhar força militar, o Talibã assumiu o poder do Afeganistão, em 1996. Nessa época, escolas para mulheres foram fechadas, os homens eram obrigados a deixar suas barbas crescerem e itens culturais do ocidente, como filmes e livros, eram proibidos.

Além disso, caso essas regras fossem desrespeitadas, as punições incluíam até pena de morte.

Porém, a governança do Talibã no Afeganistão teve vida curta. Em 2001, após os atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos, na época governados por George W. Bush, invadiram o país. Isso porque eles acreditavam que o Talibã tinha ligações com a Al-Qaeda, responsável pelos ataques, e que estava escondendo Osama bin Laden.

Com toda a força militar dos Estados Unidos, o grupo foi tirado do poder já naquele ano e o país voltou a ter eleições democráticas. Ufa!

O que rolou nesse meio tempo?

Se o Talibã está de volta, já dá para imaginar que o grupo nunca deixou de existir. Não é à toa que os militares dos Estados Unidos continuaram no Afeganistão durante esse tempo todo.

A ideia era dar uma mãozinha para o governo e o exército local, como forma de prepará-los para que eles pudessem evitar o retorno do Talibã ao poder. Ao longo desses 20 anos, o governo dos Estados Unidos investiu cerca de US$ 83 bilhões em treinamentos e equipamentos para a força militar do país.

A ideia de tirar o exército norte-americano do Afeganistão era apoiada por parte da população estadunidense e reforçada pelos presidentes ao longo dos anos, incluindo Barack Obama e Donald Trump, que concordavam nesse quesito.

No ano passado, inclusive, os EUA assinaram um acordo com o Talibã para a retirada das tropas americanas do Afeganistão, que deveria ocorrer em um período de 14 meses.

2021: Onde foi que as coisas deram errado?

A ideia do acordo assinado por Trump era de que as tropas estadunidenses deixassem o Afeganistão até maio desse ano. Porém, durante o mandato de Biden, a data para a saída total foi prorrogada para o início de setembro.

Com a saída gradual do exército norte-americano, que vem ocorrendo ao longo dos últimos meses, a expectativa era de que o Afeganistão contasse com forças militares qualificadas. Afinal, essa era a promessa apresentada por diversos generais dos EUA e do Reino Unido que estiveram no país nos últimos anos.

Porém, não foi isso que a história mostrou… O Talibã avançou de forma bem mais fácil e rápida do que o esperado. No mês passado, eles já eram responsáveis por dominar metade do território do país.

O que muda no Afeganistão agora?

Você provavelmente já percebeu que a situação do Afeganistão não é nada boa agora. Com as ideais extremistas do grupo, a população do país já está enfrentando uma série de ameaças.

Em algumas regiões, as mulheres estão sendo proibidas de trabalhar. Além disso, alguns combatentes do Talibã já falaram que pretendem matar quem não deixar de lado a cultura ocidental.

Por conta disso, milhares de pessoas estão tentando fugir da região, como mostram os vídeos de afegãos correndo em direção ao aeroporto de Cabul, que você já deve ter visto nas redes sociais. O cenário é bem triste.

A maior parte dos países do mundo não deve reconhecer o grupo diplomaticamente. Em um discurso feito ontem, Joe Biden defendeu a decisão de retirar os militares norte-americanos do Afeganistão e criticou a falta de reação do exército local no combate ao Talibã.

Aqui no Brasil, o Itamaraty, responsável pelas relações exteriores, também já se manifestou sobre a situação no Afeganistão. A autoridade brasileira afirmou que está preocupada com a deterioração e as graves violações dos direitos humanos no país.

China e Rússia podem ir na contramão

Ao contrário da maior parte dos países do mundo, a China e a Rússia estão indo com calma e preferindo bater um papo mais amistoso com o Talibã…

O porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying, disse que o país asiático está disposto a manter relações amigáveis com o grupo extremista e que respeita o direito do Afeganistão de “se manter de forma independente”.

Já os representantes russos também demostraram interesse em conversar com os representantes do Talibã. De acordo com o embaixador de Moscou em Cabul, Dmitry Zhirnov, o grupo extremista assumiu o poder de forma tranquila e prometeu construir um país civilizado e livre do tráfico de drogas.

Com isso, já é possível esperar que os dois países reconheçam o Talibã como responsável por governar o Afeganistão.

Vale lembrar que o país liderado por Vladimir Putin pode enxergar neste momento uma oportunidade de aumentar a influência na Ásia Central, já que os EUA agora deixaram o Afeganistão. Afinal, a região é formada por países que já foram dominados pela União Soviética.

Já a China também não esconde que está de olho nos benefícios econômicos e estratégicos dessa história toda. O país de Xi Jinping tem em mente alguns projetos de infraestrutura que passam pelo Afeganistão, incluindo uma estrada que liga Xinjiang, na China, ao Paquistão.

Tenso demais, né?!

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