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Como o blockchain, tecnologia do bitcoin, pode impactar o meio ambiente?

De olho no ESG, o blockchain pode ser uma mão na roda para o desenvolvimento econômico sustentável
Tecnologia por trás do bitcoin pode reduzir danos ambientais, dizem especialistas
(Foto: Reprodução/Roger Brown)

Se você é uma pessoa que se mantém atualizada nos debates (e que acompanha a The Compass), você provavelmente já sacou que existem dois assuntos que não dá mais para fugir: criptomoedas e agenda ESG.

Apesar de serem temas em alta, esses dois pontos aparecem como rivais em boa parte das vezes. Afinal, ESG se refere à sustentabilidade nos quesitos ambiental, social e de governança. Enquanto isso, as criptos são conhecidas por seus impactos ambientais.

O bitcoin, que é a maior criptomoeda do mundo, é um exemplo de ativo digital considerado como um vilão do meio ambiente. Isso porque o processo de consolidação desses ativos, conhecido como mineração, exige o uso de computadores super potentes. Para que eles funcionem, o custo energético também é muito alto.

Além disso, a China, que recentemente proibiu a mineração de criptomoedas, era até então a principal concentração de mineradores do mundo. A grande questão é que o país asiático ainda depende muito da queima de carvão para gerar energia.

Porém, o carvão é responsável por 11% de toda a emissão global de CO2, conforme informações da agência de jornalismo e política energética EPBR. Então, já dá para imaginar que os impactos desse processo para o meio ambiente não são nada baixos.

Então, o bitcoin é um vilão do meio ambiente?

Em termos gerais, é possível dizer que, sim, o bitcoin é um vilão do meio ambiente. A questão principal está relacionada ao jeito como esse ativo é desenvolvido.

“O maior consumo se dá em uma região onde as fontes energéticas não são renováveis para um ativo financeiro não lastreado. Embora o bitcoin traga diversos benefícios, os impactos ambientais do consumo energético são muito grandes”, explica Chicko Sousa, fundador da Plataforma Verde, em entrevista à The Compass.

Segundo ele, é importante ter em mente que os mineradores migram para as regiões onde a energia é mais barata. Entretanto, independente da região onde a mineração é praticada, o fato de ser uma energia renovável não quer dizer, necessariamente, que os impactos são menores.

“Se você considerar pela lógica, o Paraguai é o local mais barato da América do Sul. Lá as hidrelétricas não deixam se ser uma fonte renovável, mas agora estamos passando por um momento de crise hídrica, que é um problema não só econômico, mas socioambiental”, disse o especialista.

Na prática, um levantamento da Reality Check, serviço de checagem de dados e fatos da BBC, mostrou que a mineração de bitcoin no mundo gastou mais energia do que toda a Dinamarca e a Irlanda em 2015.

Se continuar assim, o bitcoin e as criptomoedas vão acabar?

Vamos com calma, pequeno gafanhoto. De acordo com Chicko, o bitcoin e outras criptos não deixarão de existir. Afinal, não dá para negar todos os benefícios trazidos pelos ativos digitais para o sistema financeiro global e para diversas outras áreas de atuação.

A única questão é que é cada vez mais provável que a mineração dessas criptos passe por regulações, como ocorreu na China. “Eu concordo que o maior controle ajudará não somente a mensuração do impacto real, mas a controlar o impacto desenfreado”, explica o fundador da Plataforma Verde.

Para ele, o mais importante é rastrear e mapear como, quando e onde a mineração é feita. Somente assim é possível mensurar os impactos desses criptoativos para o meio ambiente.

Um dos caminhos para isso é justamente por meio do blockchain, a tecnologia por trás das criptomoedas.

Como o blockchain pode ajudar o meio ambiente?

Primeiramente, vamos entender o que é o blockchain! É por meio dessa tecnologia que o registro e a transação dos ativos digitais são realizadas. Além disso, por conta da segurança dos códigos que formam esse sistema, ele também funciona como uma forma segura e eficaz de rastreabilidade.

É daí que surge um dos maiores benefícios em prol do meio ambiente do blockchain: trazer transparência ao mercado. “O blockchain vem como uma ferramenta para trazer transparência às relações comerciais e industriais nas commodities não renováveis”, analisa Chicko.

Isso porque, na prática, o blockchain consegue registrar a origem e o destino de um produto de forma completa, passando por toda a cadeia de suprimentos, desde a produção até o consumidor final. Ao contrário de outras tecnologias, as informações armazenadas são invioláveis. Ou seja, sem fraudes!

Tokens de impacto

Outra forma de contribuir para o meio ambiente por meio do blockchain são os criptoativos voltados para a agenda ESG. Um exemplo disso são os tokens de impacto desenvolvidos em uma parceria entre as plataformas de tokenização e mercado financeiro Liqi e a Gaia.

Esses ativos consistem em investimentos que captam recursos para pautas sociais e ambientais. Dessa forma, os investidores conseguem pensar além do retorno financeiro de um investimento, mas também nos impactos que aquele valor irá gerar para o planeta.

“A tokenização (digitalizar um ativo) via blockchain pode servir como um veículo para conectar investidores com projetos ligados ao ESG. O investidor olha não só o retorno do investimento, mas onde o dinheiro está sendo aplicado”, explica Daniel Coquieri, CEO da Liqi.

Como esses tokens funcionam e como investir neles?

Resumidamente, esses tokens consistem na fragmentação de um grande investimento que seria necessário para financiar um projeto. Dessa forma, é possível democratizar as aplicações de impacto social.

“Em vez de vender R$ 1,5 milhão para você, como investidor, nós fragmentamos isso de forma digital por meio dos tokens e permitimos que vários investidores participem do processo”, explica o CEO da Liqi.

Na prática, a Gaia é responsável por identificar os projetos sustentáveis, enquanto a Liqi é responsável pela parte tecnológica do processo. Justamente por isso, esses ativos de rentabilidade previsível são negociados na plataforma da Liqi e podem ser comprados por menos de R$ 30.

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