O que é a Taxa Selic e como ela afeta a economia e a sua vida

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É taxa pra lá, taxa pra cá. No jornal, nas notícias… Tanto se ouve sobre essa Taxa Selic, mas o que afinal significa essa taxa tão importante para a economia brasileira e como ela afeta a nossa vida? 

Neste artigo, nós aqui da The Compass vamos esclarecer isso para você!

O que é a Selic?

A Taxa Selic, também chamada de “Taxa Selic Meta”, é a taxa básica de juros da economia no Brasil. Justamente por ser a “taxa básica” é que ela é a referência para todas as outras taxas de juros praticadas no país – seja de empréstimos, seja de financiamentos.

Ela influencia desde o tanto de juros que você vai pagar ao banco quando faz um empréstimo, até naquilo que o investidor da renda fixa recebe quando investe. Ela determina, por exemplo, o tanto que a poupança rende.

Adm

Poupança nem é investimento!

Ah! E o nome “Selic” vem de: Sistema Especial de Liquidação e de Custódia.

Esse sistema é uma infraestrutura do mercado financeiro administrada pelo Banco Central. Nele são transacionados títulos públicos federais. A Selic corresponde, então, à taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados nesse sistema.

Como a Taxa Selic é definida?

Quem define a Taxa Selic é o Copom.

O que é o Copom?

Copom, que significa Comitê de Política Monetária do Banco Central, é um órgão do Banco Central que foi criado com objetivo de traçar e acompanhar as políticas a respeito do dinheiro no país, sendo responsável por estabelecer a direção e a meta da taxa Selic, além de analisar a inflação. Ele é composto pelos 8 membros da diretoria do BC.

O Copom se reúne 8 vezes ao ano (a cada 45 dias) para decidir qual será o andamento da nossa querida taxa básica de juros. No primeiro dia de reunião são feitas análises do cenário brasileiro e mundial levando em consideração o aspecto financeiro. No segundo, a partir das análises já feitas, os membros tomam a decisão da taxa básica de juros.

Geralmente, em cada um desses encontros acima referenciados, antes da decisão, são assistidas apresentações técnicas e avaliadas também condições de liquidez e o comportamento do mercado. 

Os membros então votam para os rumos da chamada Selic Meta após analisar todas as informações e considerar riscos e potencialidades por um viés também macroeconômico – ou seja, um comportamento analisado em escala global por meios estatísticos.

A partir disso, a taxa básica de juros – Selic – toma valor e é publicada por meio de um comunicado no mesmo dia. Outro órgão importante que compõe o cenário econômico do país de maneira mais geral é o Conselho Monetário Nacional (CMN).

O que é o Conselho Monetário Nacional?

O CMN é formado basicamente por 3 pessoas: o Ministro da Economia, o Presidente do Banco Central (atualmente Roberto Campos Neto) e o Secretário Especial da Fazenda.

A função do CMN é formular a política a respeito do dinheiro e as políticas de créditos brasileiras com o objetivo de promover o progresso econômico e social do país.

Em outras palavras, ele adequa o volume dos meios de pagamento da economia (a quantidade de dinheiro existente – não apenas o papel moeda, também o dinheiro que você vê na tela do celular).

O CMN define, de maneira mais geral, os regulamentos sobre o nosso sistema financeiro.

Qual a função da Selic?

Diante do exposto acima, a Selic basicamente tem como função principal ser uma ferramenta para controlar a inflação.

Funciona assim: com a queda da taxa de juros, os empréstimos e financiamentos ficam mais baratos, o que gera um aumento do acesso ao crédito.

Com isso, o que ocorre é mais dinheiro entrando na economia e, como consequência, isso estimula as pessoas a consumirem mais produtos. Isso, por sua vez, aumenta a demanda e consequentemente ocorre o aumento dos preços – gerando o cenário da inflação, podendo aumentá-la.

Em uma situação oposta, no caso de as taxas subirem, os empréstimos e os financiamentos ficariam mais caros e isso limitaria o acesso ao crédito.

Dessa forma, o país teria menos dinheiro em circulação, o que desestimularia o consumo, dado que as pessoas tenderiam a guardar o dinheiro, comprando cada vez menos, ocorrendo uma demanda então menor. Isso, por sua vez, controlaria a inflação. 

Selic atualmente

A última reunião do Copom, na data em que este artigo está sendo escrito, ocorreu em 16 de junho a partir dela temos que a Taxa Selic hoje é de 4,25% ao ano – na reunião anterior, a taxa estava nos 3,5%.

Meta para a taxa Selic (% a.a, dados diários)

Gráfico de evolução da Taxa Selic
Fonte: Banco Central

Assim, fica clara a interferência da Selic no dia-a-dia, já que os preços das coisas são influenciados por ela.

Olhando para os bancos:

O Banco Central, em prol de manter a taxa na faixa no nível definido pelo Copom, age da seguinte forma: ele compra e vende títulos públicos, de modo a aumentar ou diminuir sua oferta para regular os juros.

Por exemplo, se a Selic aumentou, ou seja, os juros aumentaram, o BC vende mais títulos para os bancos e para regular o aumento de juros, os preços devem ser menores do que o comum – o que pede uma remuneração maior. 

Isso reverbera nas taxas de juros dos próprios bancos, já que só com juros maiores esse movimento de empréstimos lhes é interessante – uma vez que, se não for assim, seria mais interessante manter o dinheiro aplicado nos títulos públicos vendidos pelo próprio Banco Central.

Já para conduzir a taxa ao contrário, o BC, ao invés de vender, compra títulos públicos que os bancos ou instituições financeiras já possuem. 

Assim, para que os bancos passem a querer vender novamente para o BC seus títulos, tais títulos precisam ser negociados a um preço maior – o que acaba induzindo os juros a serem menores.

Como investir na Selic

Se você for analisar, indiretamente é muito difícil que a maior parte dos investimentos disponíveis não seja afetado pela Selic, ou seja, de alguma forma ela interferirá na sua vida. Entender esse assunto, portanto, é um passo importante para começar a investir.

Por exemplo, os investimentos de renda fixa, na prática, representam títulos de crédito (empréstimos), ou seja, ao comprar um CDB – Certificado de Depósito Bancário -, você na verdade está emprestando dinheiro ao banco, de maneira a receber juros de acordo com o tempo que você deixar lá.

No caso do Tesouro Direto, o impacto da Selic é ainda mais direto (pegou o trocadilho?). Neste caso, os juros são a própria taxa Selic – com diferenças diminutas em certas épocas.

Para investir no Tesouro Direto ou Tesouro Selic, por exemplo, é bem simples: basta ter conta em uma corretora de investimentos e selecionar o título que deseja adquirir.

Por isso, em geral, pode-se dizer que quando a Selic está alta, os investimentos de renda fixa costumam ser mais favoráveis. No Brasil, durante muito tempo houve uma taxa Selic alta e por isso é tão comum que os brasileiros considerem, sem muita análise, que esse é um bom investimento.

Adm

Se a educação financeira fosse um forte da nossa cultura, a galera da época em que a Selic estava acima dos dois dígitos por muito tempo não acreditaria que a renda fixa traz sempre retornos bons. Mas calma, estamos aqui para mudar essa realidade!

Na verdade, o ideal é que ela seja usada buscando mais a questão de segurança e previsibilidade do que de rentabilidade propriamente

 É que se os juros forem altos e a inflação acompanhar essa alta, quando se analisa a rentabilidade na prática, ela não é alta, afinal, essa rentabilidade real representa o retorno descontando a inflação.

Por exemplo, se você estiver com a Selic a 9% ao ano e a inflação a 6%, a rentabilidade efetiva será 9% – 6% = 3%. Mas se a Selic estiver a 6% e a inflação a 1%, o que ocorreria seria 5%, o que seria mais vantajoso do que o caso anterior.

Como a poupança é afetada pela Selic?

A poupança é assim: se a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% + a Taxa Referencial. Já se a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da Selic + Taxa Referencial.

No caso atual, que a Selic está abaixo de 8,5%, a poupança está rendendo os 70% da Selic, ou seja, ela é ainda menor!

Informação bônus: Toda segunda-feira, o Banco Central publica em seu site um relatório de mercado chamado Focus, o Boletim Focus. É um relatório baseado nas projeções estatísticas que o mercado oferece sobre vários indicadores importantes da economia do país, como Selic Meta, inflação, PIB e taxa de câmbio.

O boletim focus funciona como um termômetro da nossa economia e como um referencial para entender quais devem ser os passos da nossa política monetária. Toda semana nós trazemos isso para vocês Compassers em nosso portal – acompanhe! – Mas se você é Compasser raiz você já sabe disso. Segue com a gente!

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