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Taxa Selic deve atingir o maior nível nos últimos quatro anos

Depois da repercussão a respeito do Auxílio Brasil, teto de gastos e PEC dos precatórios, o Banco Central deve acelerar a alta dos juros
Vista de fora do prédio do Banco Central
(Divulgação/Câmara dos Deputados)

Alta dos combustíveis, alta do dólar, alta da inflação, alta da Selic, já podemos dizer que o Brasil está em alta?

Nesta quarta-feira (27), o Comitê de Política Monetária (Copom), vai se reunir para definir a nova taxa básica de juros, que deve ser anunciada após as 18h.

A expectativa do mercado é de que com o cenário inflacionário atual que já passa de dois dígitos nos últimos 12 meses (10,25%), somados às últimas polêmicas a respeito do possível furo no teto de gastos para viabilizar o novo Auxílio Brasil, o Banco Central decida acelerar a alta dos juros.

O que é a Selic?

A taxa Selic é a chamada taxa básica de juros, é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação do país.

É ela que dita o custo do crédito no país, isso quer dizer que uma taxa mais alta, torna os juros dos empréstimos e financiamentos mais caros, assim como a taxa mais baixa deixa o custo dos empréstimos e financiamentos mais baratos.

Como funciona a Selic na prática?

Na prática, quando a Selic está caindo, significa que o governo está adotando uma política expansionista, ou seja, quer expandir a economia através da oferta de dinheiro na economia.

Pensa comigo, se para financiar uma casa ou um carro está mais barato, a população tende a realizar os seus sonhos mais “facilmente”, isso quer dizer que as pessoas irão gastar mais. 

Os consumidores aumentando os gastos, as empresas tendem a ter um desempenho melhor em seus lucros, aumentando os empregos e a população fica com mais dinheiro para gastar.

A questão é que, em certo momento, a demanda por certos produtos da cesta básica começa a ser tão grande que a oferta não suporta a demanda e a única saída é aumentar os preços.

Esse aumento de preços é a inflação. Em um cenário inflacionário a dinâmica é o oposto e adota-se a política contracionista

O Banco Central tende a aumentar os juros para tornar os empréstimos e financiamentos mais caros, fazendo com que a população comece a controlar os seus gastos e economizar dinheiro.

Isso impacta nos resultados das empresas, acarretando em um maior desemprego,, diminuindo a disponibilidade de dinheiro para a população, resultando em uma diminuição da demanda por produtos que estavam inflacionados.

É assim que a inflação é controlada.

Qual a Expectativa para a Selic?

A expectativa do mercado é de um aumento de 1,25 ponto percentual (p.p.)  em uma nova taxa de juros no patamar dos 7,5% ao ano.

Caso se concretize essa expectativa, a Selic atingirá o maior patamar desde outubro de 2017, quando estava em 8,25% e foi reduzida para 7,5% ao ano.

Mas também há quem aposte em uma alta ainda mais agressiva dos juros. A Genial Investimentos espera que o Copom aumente 3 p.p. colocando a Selic a 9,25%.

A questão é que nas últimas duas reuniões do Copom, os aumentos foram de 1 p.p. apenas, mas com as últimas novidades polêmicas do governo, a previsão do mercado é que o Banco Central acelere esse ritmo de alta.

Quais os Impactos do aumento da taxa?

Consequentemente, o que o BC espera com essa nova taxa, é que a inflação demonstre algum sinal de estabilidade para conter o aumento dos preços.

Isso também impacta nos rendimentos dos títulos de renda fixa, que ficam cada vez mais atraentes.

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