Saques superam depósitos na poupança em mais de R$ 5 bilhões em agosto, diz Banco Central

Depois de quatro meses com depósitos maiores do que saques, o mês de agosto quebrou o ciclo
moedas saindo do pote

O Banco Central divulgou nesta segunda-feira que os saques na poupança foram maiores do que os depósitos em R$ 5,47 bilhões no mês de agosto.

O resultado vem depois de 4 meses seguidos com depósitos superando os saques: em julho, por exemplo, as entradas superaram as saídas em cerca de R$ 6,3 bilhões.

Desde o começo do ano, no entanto, o acumulado foi um saque maior do que os depósitos em cerca de R$ 15,6 bilhões. 

Temos uma luz no fim do túnel? Ou será que tem a ver com o auxílio emergencial? 

Vamos voltar um pouquinho aqui: Os meses em que o auxílio foi suspenso – de janeiro a março – foram justamente os meses, antes de agosto, em que houve retirada líquida de mais de R$ 25 bilhões da poupança. Em abril, o auxílio voltou.

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Só pra garantir que você entendeu: “retirada líquida” é como o “saldo” de retiradas, ou seja, o valor absoluto da diferença entre retiradas e depósitos

Assim, desde abril com a volta do auxílio, foram 4 meses seguidos de ingresso líquido de recursos na poupança, ou seja, mais dinheiro entrando do que saindo das contas… Em agosto, então, o ciclo foi quebrado com maiores retiradas.

Com o auxílio, a galera coloca na poupança. Sem o auxílio, houve mais retiradas… Em um cenário em que o auxílio representa boa parte do sustento, a impressão que dá é que o pessoal continua deixando o dinheiro guardado na poupança e, na ausência do auxílio, retira o dinheiro que estava guardado lá.

Há muito que se refletir a partir disso: é verdade que boa parte da população não teve acesso à educação financeira de forma a aprender que a poupança não é o melhor lugar para deixar o dinheiro (um dos motivos pelos quais existimos, inclusive).

É verdade, também, que apesar disso a democratização do conhecimento está acontecendo – embora ainda haja muito a ser feito no país.

Assim, esse resultado de maiores retiradas no mês de agosto mesmo havendo o auxílio emergencial, considerando este cenário, é reflexo de vários fatores.

Esses fatores vão desde a questão do auxílio, necessidades de gastos ou resgates para usos emergenciais e derivados, até podendo ser também um aumento da percepção das pessoas quanto a onde guardar seu dinheiro e questões relacionadas.

Afinal, a poupança atualmente “rende” ainda menos do que a taxa Selic, que é a nossa taxa básica de juros da economia.

 

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