Privatização dos correios: estatal lucra R$ 1,5 bilhão em 2020

Ainda na espera, a estatal registra lucro de R$ 1,5 bilhão. O melhor em uma década.
Prédio dos Correios

Há quanto tempo a gente ouve falar de privatização dos Correios?

Ano passado, mesmo em meio ao caos da pandemia (que ainda não acabou), a estatal teve um lucro líquido de R$ 1,53 bilhão.

Esse foi o melhor resultado em pelo menos uma década. O dado foi enviado ao Ministério da Economia pelo presidente dos Correios, Floriano Peixoto Vieira Neto, mas ainda não foi divulgado oficialmente pela empresa.

O resultado faz sentido quando se observa a expansão do comércio eletrônico nesse contexto. A receita com encomendas se manteve crescendo em 9%. Já a receita vinda de fora do país foi maior do que R$ 1,2 bilhão – um valor nunca antes registrado também.

Em fevereiro deste ano, o presidente Jair Bolsonaro enviou à Câmara o projeto de privatização dos Correios. Em abril, um requerimento de urgência para a proposta foi aprovado pelos deputados.

🤔 O que isso significa?

Que a qualquer momento que seja, a proposta seja colocada em pauta. 

Ainda segundo o Presidente dos Correios, o desempenho traz uma imagem institucional mais sólida e isso favorece o contexto da desestatização da empresa, tanto falado mas permanece apenas no campo das ideias.

Desestatização de uma empresa é, resumidamente, o ato de reduzir ou excluir a gestão do estado na companhia. No caso a prestação de um serviço público, que antes era realizada pelo governo, passa a ser realizada pelo setor privado.

Olhando para o lucro de 2020 acima de R$ 1 bilhão, só houve registro de um lucro nesse patamar em 2012 nos últimos 10 anos. Os prejuízos acumulados entre 2013 e 2016 – cerca de R$ 4 bilhões – só começaram a ser revertidos lá pra 2017.

Quando a gente olha pro Patrimônio líquido, houve um crescimento de 84% desde 2019. O total somado agora é quase é de R$ 950 milhões.

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Imagem: Antônio Cruz|Agência Brasil

Em prol de não permitir que – mesmo com o caráter de urgência – o projeto entregue fique parado, o presidente da Câmara determinou que seja criada uma comissão especial para cuidar disso. 

↪  O que isso muda?

Isso permite que haja um maior controle sobre essa discussão ao relator do caso. Além disso, sem a comissão a proposta seria discutida em cada uma das comissões temáticas e passaria por diversos relatores diferentes. Em meio a muitas dessas, o governo já vinha perdendo espaço quanto à discussão a respeito dos Correios.

O que faz um relator? Ele relata? 

É por aí mesmo. O relator é o parlamentar escolhido para apresentar o parecer sobre a questão tratada por aquela comissão, ou seja, aquilo que vai ser votado após ser apresentado e discutido – no caso, a privatização. 

Segundo o site do Senado Federal, o relator é designado em até 2 dias úteis depois que o projeto é recebido pela câmara e o critério da sua escolha.

O projeto ainda se encontra em fase de debates e não se tem previsão de prazo para uma possível votação. O relator atual do caso, Gil Cutrim (Republicanos – MA) afirma que é uma matéria que precisa ser amplamente discutida.

↔ O outro lado da moeda

Por outro lado, Emerson Marinho – secretário de Comunicação da Federal Nacional dos Trabalhadores dos Correios (Fentect) – afirma que esse resultado mostra uma ótima capacidade da estatal manter o serviço para a população mesmo em um ano de pandemia.

Ele vê o desempenho como prova de que não há necessidade ou argumento sólido para vender a companhia. “Nenhum empresário vende nada que dê lucro, pelo contrário, investe para dar mais lucro”.

E agora, José? 

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