Manifestações de 7 de setembro aumentam incertezas, apontam especialistas

Manifestações de 7 de setembro aumentam incertezas, apontam especialistas

Achou que a semana seria mais tranquila por causa do feriado? É aí que você se engana! As manifestações em todo o Brasil marcaram o feriado da Independência e estão movimentando o mercado nesta quarta-feira (8).

Ao contrário dos anos anteriores, as restrições da pandemia fizeram com que o tradicional desfile de 7 de setembro fosse adiado. No lugar, milhares de manifestantes foi às ruas para atos favoráveis e contrários ao governo de Jair Bolsonaro.

O presidente participou de manifestações em Brasília e em São Paulo, na Avenida Paulista, onde falou sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que não aceitará mais as decisões do ministro Alexandre de Moraes.

“Dizer a vocês, que qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou, ele tem tempo ainda de pedir o seu boné e ir cuidar da sua vida”, disse Bolsonaro durante o discurso.

Ibovespa derretendo… e olha que nem é de calor!

Um dia depois das manifestações, o mercado financeiro está reagindo de forma bastante pessimista ao aumento das tensões políticas no Brasil.

Isso porque o Ibovespa está operando em queda de 2,6%, por volta das 11h45. Por outro lado, o dólar está decolando com uma valorização positiva de 2,1%, a R$ 5,28.

Por que o mercado está reagindo assim?

Segundo um levantamento do G1, 19 cidades tiveram protestos em apoio ao presidente ontem (7), enquanto 84 registraram atos contrários.

Todas essas manifestações, somadas às tensões entre o governo federal e o STF, reforçaram um clima de incerteza sobre o futuro do Brasil, o que não pega bem para os investidores.

“Na avaliação do nosso time político, os eventos de ontem adicionam incertezas ao impasse dos precatórios”, avaliou a XP em um relatório.

As incertezas sobre os precatórios também apareceram no relatório “Morning Call” da Levante Investimentos. Se você não sabe o que é isso, esses títulos se referem às dívidas do governo por conta da perda de processos judiciais.

“A avaliação é que esse aumento da tensão poderá dificultar o andamento de pautas importantes para a solução da crise fiscal, como a questão dos pagamentos de precatórios”, avaliaram os especialistas da casa de análise.

Já o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, avaliou que as manifestações não trouxeram grandes novidades. Para ele, os atos só acirraram tensões já existentes entre os poderes e ressaltaram a baixa possibilidade de aprovação das reformas.

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