Economia do Brasil: resumo, história e como está em 2021

economia no brasil

Antes de entender a economia do Brasil, vamos voltar um pouquinho no tempo e já já a gente chega lá!

No início, era o Brasil colonial, com uma economia resumidamente extrativista. Depois disso, entre 1500 e o século XX, resumidamente, tivemos o ciclo do pau-brasil, o ciclo do açúcar, do ouro, do algodão, da borracha, do café… 

Em meio a muitos conflitos e desenvolvimento, com o passar do tempo e o cultivo e a exportação de muitos insumos aqui do país, o Brasil começou a ser notado como um grande exportador de produtos como esses citados acima nos ciclos.

Conforme o país foi se industrializando e tomando forma, a economia foi surgindo de forma tímida. A história do Brasil é riquíssima e muito ampla, mas vamos nos ater ao foco do tema de hoje: economia.

Como funciona a economia do Brasil

Como falar de economia sem falar de dinheiro? Vamos começar pelas moedas.

Moedas

Desde sua independência, em 1822, o Brasil já teve 9 moedas. Reis, a primeira, teve seu nome derivado do real, que era a unidade monetária de Portugal no século XV. Em 1942, a segunda moeda oficial foi o Cruzeiro (em meio a muitas reformas, o cruzeiro passou por várias mudanças, sendo chamado de cruzeiro novo, cruzado e cruzeiro real). 

O tempo foi passando e a inflação acumulada de 65 a 94 foi absurda, na casa do quadrilhão. Em 1994, finalmente, ocorreu a estreia do real.

Inflação na economia brasileira

Essas mudanças foram determinadas pela persistência de uma alta inflação, que deteriorava rapidamente a moeda em circulação, forçando as autoridades monetárias a trocarem a moeda de tempos em tempos em busca de uma estabilização.

Em meio a essa turbulência, há poucas décadas, era praticamente impossível fazer planos para o longo prazo, dado que os preços poderiam subir e dobrar os custos destes planos. A inflação simplesmente corroía o poder de compra da população.

Pra você ter uma noção, em junho de 94, a inflação chegou a 47,43% no mês. Isso quer dizer que, se no início do mês um carro custasse R$30.000, ao final do mês ele estaria custando algo próximo a R$ 43.000.

Imagine só: nessa época, tornou-se um hábito fazer todas compras do mês no dia de receber o salário para não terem o risco de sofrer com a correção do preço até o final do mês, resultando em um grande aumento no preço das coisas e um então poder de compra menor.

Em 1993, o valor acumulado da inflação foi acima de 2000%. Sim, dois mil! Uma hiperinflação.

Houve muitos métodos para tentar controlar essa inflação.

Um deles foi o de “cortar zeros” a cada vez que surgia uma nova moeda. Isso facilitava a vida das pessoas no curto prazo. Por exemplo, se na moeda X você tinha 100 reais, na moeda Y – que veio depois da X – isso era equivalente a 10 reais.

Adm explica

Se hoje, por exemplo, tivéssemos que comprar frutas no mercado usando as mesmas unidades monetárias de antigamente, teríamos que pagar alguns bilhões de reais para coisas simples como uma banana

Isso, no entanto, apenas ajudava na consequência e não na causa do problema.

Isso também ocorreu porque o Brasil tinha acabado de sair da ditadura militar, momento em que a dívida externa saiu de US$ 3 bilhões para mais de US$ 103 bilhões no final da ditadura.

O governo, neste momento, acabava gastando mais do que ele arrecadava com impostos, fazendo com que ele precisasse de empréstimos para se manter operante. Isso somado ao alto número de funcionários públicos, obras superfaturadas, desvios, entre outros problemas que tornavam toda essa situação insustentável.

No entanto, em 1993 Itamar Franco, então (21º) presidente do Brasil, convocou Fernando Henrique Cardoso (34º presidente do Brasil) para presidir o ministério da fazenda (atual ministério da economia) com o objetivo de traçar um novo plano para o Brasil. Esse foi o chamado Plano Real.

O Plano Real

 

Foi aí que ele implementou a chamada Unidade Real do Valor (URV), que teve início em março de 1994, sendo uma moeda escritural atrelada à cotação do dólar no dia anterior numa parida de 1 para 1, ou seja, 1 real valia 1 dólar.

Na prática, todos os preços eram marcados com seus ‘URVs’, mas na hora do pagamento, o valor em URV era convertido para moeda circulante, sendo que esse valor era atualizado todos os dias pelo Banco Central

Houve, então, uma medida provisória futuramente que transformaria o URV em Real. Dessa forma, dada a explicação que você acabou de ler, um real valeria um dólar.

Após essa medida, a primeira inflação registrada foi de 6%. Essa paridade com o dólar fez com que a entrada de produtos estrangeiros no Brasil aumentasse, aumentando a oferta também.

Com isso, foi criada então uma política monetária contracionista: alta de juros, estímulo da poupança, redução de consumo e de gastos públicos. Vale dizer: a alta de juros aumenta o fluxo de capital externo em títulos de renda fixa brasileiros – já que os juros determinam esse rendimento – e aumenta a procura pelo real.

O Bacen, no entanto, não conseguiu manter a paridade do dólar com o real e por isso houve uma manipulação artificial do real para essa ancoragem se manter. Foram usados mecanismos como venda de dólar das reservas internacionais e também swaps cambiais.

O que são swaps cambiais?

“swap” significa troca. Swap cambial são basicamente contratos de troca de indexadores, ou seja, ele promove a troca de taxas ou rentabilidade entre diferentes ativos.

Com o dólar baixo, houve alta importação de produtos externos e o Banco Central começou a precisar de empréstimos do FMI (Fundo Monetário Internacional) para manter os Swaps que foram cada vez mais usados em busca de manter a paridade.

Percebendo que não era possível manter o real ancorado ao dólar, a conclusão foi que apesar de o plano do real ter sido bom para controlar a inflação, ele provocou uma grande lacuna no balanço de pagamentos.

Em 99, o então presidente do Banco Central Arminio Fraga mudou a política econômica para o câmbio flutuante e o valor do real passou a ser negociado livremente sem a intervenção do governo.

Assim, muitos produtos ficaram mais caros para os brasileiros, não existiu mais a necessidade de Swaps, a taxa de câmbio começou a cuidar do balanço de pagamentos e a taxa de juros ficou responsável por cuidar da inflação.

A partir de 1999, essa nova política monetária era composta por um tripé macroeconômico, que era dividido em Meta da Inflação, Meta Fiscal e Regime de Câmbio.

Meta da inflação

Meta da Inflação: Definida pelo Conselho Monetário Nacional e executada pelo Banco Central, essa meta é calculada pelo BC por meio do IPCA (Indice de Preços ao Consumidor Amplo). Uma meta é definida por ano, com uma margem de segurança e assim o controle da política monetária tem o objetivo de manter a inflação dentro dessa meta.

Alguns dos instrumentos usados para isso são a Taxa Selic, a Taxa compulsório do Banco Central sobre depósitos bancários e o Redesconto do Banco Central para bancos com pouco dinheiro em caixa.  

Meta fiscal

Meta fiscal: programa elaborado pelo governo que representa as expectativas de receitas a serem arrecadadas em um ano menos a expectativa de gastos no mesmo período. Ou seja, o resultado líquido entre o que é recebido pelo governo e o que é gasto – dentro das esferas estadual, federal, quanto municipal.

Por exemplo: quando a meta é de superávit primário, quer dizer que a expectativa de arrecadação do governo é maior do que as expectativas de seus os gastos. Já o déficit primário é quando a expectativa de gasto é maior do que a de receita.

Essa meta quer que a economia cresça de maneira sustentável, para que haja a estabilidade econômica brasileira e um controla das dívidas públicas.

Regime de câmbio

Regime de câmbio: O regime cambial é basicamente a forma pela qual a taxa de câmbio é determinada. Dentro disso, há 2 tipos de regimes: o câmbio fixo, o câmbio flutuante.

Em 1994, houve o câmbio fixo em que 1 real era 1 dólar por meio de swaps cambiais para tentar manter a paridade entre o real e o dólar e isso se mostrou insustentável para a economia brasileira.

Em 1999, com Armínio Fraga, houve então o câmbio flutuante, na qual a taxa de câmbio começou a cuidar do balanço de pagamentos porque com o dólar mais caro ficaria mais difícil o brasileiro enviar dinheiro pra fora, o que ajudaria a diminuir o rombo, e a taxa de juros passou a tomar conta da inflação e não mais do balanços de pagamentos.

Isso porque antes, a estratégia de trazer taxas de juros altas tinha como objetivo atrair o capital estrangeiro para o país. Mas o que aconteceu, na verdade, foi que o fluxo de capital saindo do Brasil estava maior do que o que estava entrando

Assim, a mudança de um regime cambial fixo para um flutuante fez com que a nossa política econômica se tornasse da forma como ela é hoje.

Comentário do Adm

A taxa de juros tomando conta da inflação ocorreu de forma que maiores taxas de juros reduzam a disponibilidade de crédito na economia (porque ele se torna mais caro) e desestimulem o consumo.

Por isso, adotando esse regime, o governo central não interfere mais tanto na relação entre o dólar e o real por meio do consumo das reservas internacionais utilizando swaps cambiais como antes.

O uso desse recurso é apenas quando o governo quer evitar que o dólar suba ou caia abruptamente, mas sem a pretensão de regular a proporção de quanto o real vale em relação ao dólar.

Assim, esses recursos fazem com que o tripé macroeconômico sustente desde 1999 a economia do nosso país.

Tempos atuais

Em um panorama global, sabe-se que a pandemia do coronavírus afetou todos os aspectos. Uma crise sem precedentes fez com que as taxas de juros sofressem altas oscilações e a política monetária precisasse agir.

Diante do cenário, o número de desempregos e negócios tendo que fechar as portas foi grande, além de haver uma grande inversão de hábitos de consumo das pessoas.

A inflação, por sua vez, segue com estimativas de altas – como você pode conferir toda segunda-feira em nossa notícia sobre o Relatório Focus do Banco Central com as principais estimativas do mercado. 

Vale dizer: o IBGE publica dados que indicam aumentos expressivos nos preços para a indústria desde o mês de julho, o que é relacionado à inflação e também reflete em coisas do dia a dia, como o preço dos alimentos, do transporte, entre outros.

No auge do início da pandemia com a bolsa de valores lá embaixo, o padrão de consumo da população também sofreu suas mudanças, assim como o mercado adaptou sua forma de trabalhar. 

A internet cresceu absurdamente e embora por um lado muitos tenham perdidos seus empregos, outros se reinventaram e geraram novos negócios, criando também mais empregos e contribuindo para uma movimentação da economia.

Além disso, a balança comercial do país fechou o ano passado em superávit:  com mais exportações do que importações (embora a comparação com o ano anterior, 2019, tenha caído em cerca de 6%) segundo o Portal da Indústria.

Como sabem, nesse período recente o número de investidores na bolsa também cresceu absurdamente e isso se deve muito à democratização da educação financeira, que é algo que temos como missão aqui na The Compass.

Gostou de aprender um pouco de como foi esse período de oscilação e turbulência na economia do nosso país? Continue com a gente para aprender mais e mais sobre esse universo tão amplo!

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