Economia circular nas empresas cresce

Economia circular nas empresas cresce

Iniciativas com objetivo de reduzir impactos aumentam

Em meio a tanto ruído, não deixa de ser evidente que a preocupação com questões de meio ambiente, questões sociais e de governança corporativa – o tão falado ESG – têm entrado em pauta.

ESG é a sigla para "environmental, social and governance" (ambiental, social e governança, em português, em portugês). Costuma ser utilizada para medir as melhores práticas no meio corporativo.

A Cúpula do Clima, organizada por Joe Biden no mês passado, foi uma reunião entre os líderes mundiais com objetivo de criar ações de enfrentamento à crise global de mudanças climáticas.

Esse evento contribuiu também para que a pauta das metas mundiais relacionadas ao assunto seja levada em conta e influencie em decisões que não se restringem a esse tema.

O que é economia circular mesmo?

Mão segurando símbolo do infinito com representações da terra nas duas pontas
Iberdrola

Economia circular é basicamente buscar manter o recurso pelo máximo de tempo possível dentro da cadeia produtiva, promovendo ciclos.

Aqui entra a questão da reutilização de vários recursos disponíveis em cada contexto, também chamada de reciclagem e abrange remanufatura, mantendo assim a durabilidade dos recursos por mais tempo.

O Banco Central (BC), Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Anbima já têm direcionado suas ações nesse contexto.

Lembra do Conselho Monetário Nacional (CMN)?

Caso não se lembre, Adm tá aqui pra explicar: CMN é o órgão do nosso sistema financeiro que tem como função formular as políticas de dinheiro e de crédito no nosso país, promovendo progresso econômico e social.

O CMN passou a prever, em resolução, que na análise dos riscos devem ser considerados, sempre que possível, aspectos relacionados à sustentabilidade econômica, ambiental, social e de governança nas suas políticas de investimentos.

Ou seja, aspectos ESG – que são tradicionalmente ligados às práticas de economia circular.

E isso foi lá em 2018! Será que já estamos ao longo prazo? O levantamento sobre o tema mostra que estamos caminhando até ele.

Quase 80% das indústrias têm ações que se enquadram na economia circular – mesmo muitas não sabendo que tais ações se enquadram no conceito – segundo pesquisa de 2019 pela CNI.

A otimização de processos, por exemplo, além de insumos circulares e recuperação de recursos são algumas das iniciativas que estão dentro disso.

Engana-se quem pensa que iniciativas “ESG” se restringem ao meio ambiente. Na verdade, cada etapa de processos que consegue ter o seu melhor aproveitamento, principalmente falando de recursos, traz alívio ao meio ambiente em alguma escala. 

As ações tomadas em setores que muitas vezes não se relacionam diretamente ao meio ambiente vão acabar refletindo, em alguma escala, em impactos nisso.

Quem faz/fez engenharia tá cansado de ver sobre as ISO, né?

ISO é sigla para International Organization for Standardization, ou Organização Internacional de Normalização, em português, que é responsável pelas normas técnicas e padronizações dos procedimentos. Sua sede fica em Genebra, Suíça.

Em prol do incentivo à economia circular, a ISO está criando uma norma técnica internacional de economia circular para ser aplicada a 70 países – incluindo o Brasil.

Outro movimento em relação a isso é que no acordo do Mercosul com a União Europeia existe um capítulo inteiro dedicado ao desenvolvimento sustentável, com pilar central da redução das emissões (por meio do Acordo de Paris, que definiu as metas discutidas na cúpula do clima do Biden).

E é dessa forma que a economia circular pode e vai entrar para contribuir.

Pode-se ver que existe um movimento a esse favor. “Não é falta de vontade das empresas, é a logística de reaproveitamento que é relativamente complexa”, segundo especialistas. Mas isso está sendo mudado.

Especialistas também afirmam que precisamos de estímulos -principalmente em relação à tributação- para melhorar o ambiente de negócios da economia circular aqui no Brasil.

Em alguns estados já temos essa realidade, mas em escala muito pequena e que ainda têm muito a crescer para trazer diferença nos números.

A expectativa, segundo especialistas, é de que se tenha maior segurança jurídica para a realização de novos investimentos pelo setor privado.

Além disso, mais recursos financeiros trazidos por meio da criação de taxas municipais de gestão de resíduos – quando olhamos para setores como o de energia, por exemplo, isso já é uma realidade.

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