Caminhoneiros bloqueiam estradas em vários estados brasileiros

Até agora já foram identificadas manifestações em 16 estados brasileiros
Caminhoneiros bloqueiam estradas em vários estados brasileiros

Caminhoneiros pararam estradas de ao menos 16 estados brasileiros nesta quinta-feira (9). Antes disso, na tarde de ontem, um grupo de cerca de cem caminhoneiros já havia bloqueado a Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

De acordo com um boletim divulgado pelo Ministério da Infraestrutura, ainda existiam pontos de concentração nas rodovias federais de 14 estados, por volta das 11h.

Entre eles, cinco tinham interdições:

  • Bahia;
  • Maranhão;
  • Minas Gerais; Mato Grosso do Sul;
  • Santa Catarina.

“Por que isso está acontecendo?”

As manifestações são organizadas por grupos que reforçam algumas das pautas discutidas nas manifestações de 7 de setembro, como os atos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional.

Além disso, parte dos caminhoneiros também reivindicou sobre o aumento do preço dos combustíveis e relação disso com os governos estaduais.

Vale lembrar que, na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro declarou que iria entrar com uma ação no STF contra os governadores por conta do valor do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços) dos combustíveis.

Adm Explica

O ICSM é um imposto cobrado quando um produto tributável circula entre cidades e estados, como é o caso dos combustíveis, por exemplo.

Segundo ele, os governadores aumentam o ICSM para ganhar mais dinheiro. “Toda vez que aumenta o combustível, eles [governadores] aumentam quase o dobro do que se registra lá na origem”, disse Bolsonaro em uma live semanal.

No entanto, é importante ressaltar que o preço da gasolina é formado por uma série de fatores, incluindo o ICSM, os tributos federais, o preço do etanol e o preço do produtor (como a Petrobras).

De acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o preço do produtor/importador foi o que registrou maior variação nos últimos meses. Isso se dá, inclusive, pela alta do preço do petróleo, como já mostramos aqui.

Falta de apoio à greve

O presidente Jair Bolsonaro gravou um áudio ressaltando que os caminheiros são aliados do governo. Porém, reforçando que essa greve atrapalha a economia e que, por conta disso, deve acabar.

“Fala para os caminhoneiros aí, que são nossos aliados, mas esses bloqueios atrapalham nossa economia. Isso vem e provoca desabastecimento, [gera] inflação, prejudica todo mundo”, disse o presidente.

As paralisações também não possuem apoio das principais entidades de transporte do país, como a CNT (Confederação Nacional do Transporte) e a a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA).

“Trata-se de movimento de natureza política e dissociado até mesmo das bandeiras e reivindicações da própria categoria, tanto que não tem o apoio da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos”, informou a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) em uma nota oficial.

“E o que isso muda na nossa vida?”

A paralisação dos caminhoneiros pode afetar a economia ao prejudicar o abastecimento e a logística. Afinal, com as estradas paralisadas, o transporte de produtos e insumos entre as diferentes regiões do país é diretamente afetado. 

Não é à toa que diversas cidades brasileiras registraram filas em postos de gasolina nesta quinta, já que as pessoas estão com medo da falta de combustível.

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